PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO FRANCISCO DE PAULA

Prefeito Altair Júnior da Silva  ( Gestão 2001 à 2004 )

Praça Pedro Severino de Aguiar, 100 – centro

Cep: 35.543-000 – Estado de Minas Gerais

Fone: ( 0 XX 37 ) 3332-1230   Fax: ( 0 XX 37 ) 3332-1240

Coordenadas: S 20º 42' 59"    W 044º 59' 09"

População: 6.533 habitantes (Senso 2000)

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A PRÉ-HISTÓRIA DE SÃO FRANCISCO DE PAULA

 

            A nossa região, do rio das mortes até as cabeceiras do rio São Francisco, era conhecida inicialmente como Campo Grande dos Cataguá (Cataguás ou ainda Cataguasas, porque eram esses índios que habitavam nessa região). Segundo Silveira Buene, professor emérito da U.S.P., no seu vocabulário Tupi Guarani Português, Cataguá quer dizer caá, mato, árvore, tã, duro, guá, vale, sendo que o plural é Cataguás ou Cataguazes. Em São Francisco de Paula ainda são encontrados índios do século XIX. Podemos também comprovar a existência de índios em São Francisco de Paula, pela descoberta arqueológica de cerâmica em um sítio, em região rural, não se sabendo ainda a que tribo pertencia (m).

 

OS CATAGUÁ E A COLONIZAÇÃO NO CAMPO GRANDE

 

            No início do século XIX a região do Campo Grande era inóspita, havia apenas mato e índios que se tornavam bravos frente à perseguição predadora dos colonizadores.

            Em 1721 foi descoberto ouro em Goiás, no rio Vermelho; mas somente doze anos depois, ou seja, em 1733, deu-se início a abertura da picada de Goiás, quando então, nesse lapso de tempo, intensificou-se sobremaneira a perseguição e expulsão dos nativos dispersando-os.

Em nossa região os índios foram perseguidos por diversos desbravadores, mas foi principalmente Ignácio Corrêa Pamplona (um dos delatores de Tiradentes) quem fez o trabalho de desbravação do sertão de Campo Grande – especificamente a área de Tamanduá, que passou a pertencer a São Francisco de Paula nos primeiros povoamentos. Outro importante perseguidor de nativos foi Bartolomeu Buene de Prado, que deu caça tanto aos índios quanto aos quilombolas. A região do Campo Grande foi desbravada principalmente a partir de 1733, com a abertura da picada de Goiás, só a partir dessa data começou a ser verdadeiramente povoada, quando então os Cataguá tiveram que se dispersar.

 

ABERTURA E DESENVOLVIMENTO DA PICADA

 

            O caminho para Goiás teve o seu início marcadamente em 1733, cuja “Revista do Arquivo Público Mineiro” (Ano IX, fascs. 3 e 4, pgs. 875-879) diz, através de requerimento dos moradores de S. Domingos de Araxá: “Abrirão uma picada para Goiás, a qual assim ficou chamando”. Este era o caminho novo, dando continuidade ao caminho novo que nos é traçado por Antenil, dá que o caminho velho era o que saía das Minas de Sabará, passando por Pitangui e seguindo daí até a serra da Saudade e Paracatu. Dava-se muita volta, por isso, em 1736 foi permitida a abertura de um outro caminho partindo de Pitangui a Paracatu – buscando um desvio para encurtamento da distância. Temos que levar em conta que em 1733 fora proibida a abertura de caminhos, com exceção feita à picada nova para Goiás. Era grande o interesse pela abertura do caminho, tanto da parte dos sertanistas que investiam na busca de sesmarias, quanto dos mineiros que regorgitavam pela cata do ouro e pedras preciosas. Existia o caminho velho que obrigava a quem saísse de São João Del Rei a dar a volta até as Minas de Ouro Preto e Sabará, para depois seguir viagem a Goiás; aí então é que se deu início à obra. Depois de se conscientizar da necessidade de uma via direta do Rio de Janeiro ou São Paulo a Goiás, é que aconteceram as várias sociedades construtoras do caminho. Ignácio Pamploma, em correspondência oficial, já dizia ao governador de Minas, “que tantas eram as picadas e a tudo iam chamando de picada de Goiás”. E entre esses caminhos que atravessavam a picada, havia um que saindo de Brumado, passava por Oliveira, desviava a Candeias e findava em Piui (Seg, mapa geográfico de José Joaquim da Rocha, de 1778).

No caminho da picada, a tortuosidade, contudo, ia imperando à medida que novas descobertas iam surgindo: agarrado a São Francisco de Paula, Tamanduá, com a cata que deu origem à cidade de Itapecerica e para ali mais tarde foi feito um desvio, mas a descoberta mais importante para a fundação da capela de São Francisco de Paula, foi Piui, como veremos. Daí em diante, cada vez que surgisse um interesse desviante e abrisse uma encruzilhada, o destino era sempre Goiás. É que a picaca, se por um lado levava a evolução a um determinado lugarejo, simples povoado, por entre, deixava a desolação e o despovoamento a muitos outros. – daí os desvios. Havia, é lógico, muitas encruzilhadas que eram feitas por necessidade e não por interesse. Mas com a intensa movimentação e povoação na picada, os índios cataguases foram sendo empurrados cada vez mais para limites outros, distantes de suas antigas aldeias, até que se curvassem ante a imposição civilizadora e se convertessem ao “cristianismo”. Mas, por outro lado, cresciam os quilombos, amancebavam-se os negros com o crime, como no Quilombo Grande de Ambrósio, que por sua vez ficava à margem da picada, próximo a Ibiá. O viajante além de correr os riscos máximos da intempérie, os acidentes topográficos ou geográficos, os animais ferozes, os índios revoltados contra a injunção dos brancos, os assaltantes de estrada (geralmente negros e mulatos) e, principalmente, das febres palustres – tinha ainda a atormentar-lhe os quilombolas pelos caminhos. Apesar de tantos entraves, o caminho continuou, as povoações floresceram e os colonizadores seguiram o rumo da evolução. E eram tantos os quilombos que diversas expedições foram enviadas para destruí-los, principalmente o Quilombo Grande.

 

AS EXPEDIÇÕES À PICADA DE GOIÁS

 

            A incursão que mais nos imperta à picada de Goiás, é a de 28/12/1723, quando Luiz Diogo, quarto governador e capitão – general da capitania de Minas Gerais, penetra pelo território de Campo Grande da Picada de Goiás, ultrapassando-o até o chapadão da farinha podre (território que pertencia a Goiás na época: Araxá, Desemboque e Uberaba). Era uma caravana oficial da qual fazia parte o poeta inconfidente Cláudio Manoel da Costa. A comitiva esteve em Tamanduá onde descansou, a fim de repor as forças. Tamanduá a esse tempo só tinha dezoito anos desde o arraial. Segundo consta, o governador teria então convidado Ignácio Corrêa Pamploma a se tornar regente dos distritos: “ (...) e com este ajustou providências a fim de conquistar o Oeste, investindo-o com a patente de Mestre – de – campo e a previsão de regente dos distritos de Piui, Bambuí, Campo Grande e Picada de Goiás (e que não quer dizer oliveira, mas região), em previsão de 24 de Junho e patente de 26 de Junho de 1769” (Diogo de Vasconcelos, “História Média de Minas Gerais”). O costume dominante da época era conceder sesmarias de preferência as pessoas da fidalguia e não às classes pobres e desfavorecidas; afinal, o candidato à sesmaria devia ter posse bastante para construir engenho, e por isso, todo aquele que se propusesse a adquirir as suas terras, tinha o cuidado de alegar que não era homem sem meios.

 

 

 

A IMPORTÂNCIA DA PICADA DE GOIÁS

 

O fato é que a importância do caminho e o desbravamento do Campo Grande que passou mais tarde a se chamar Campo Grande da Picada de Goiás) realizado por Ignácio Corrêa Pamploma, não é apenas circunstancial, mas vital. E de uma vitalidade tão grande que quando se intensificou o desenvolvimento do caminho, a denominação estendeu-se para toda a região, com área tão exponencial que o governador Luiz Diogo, quando estava no arraial de N.senhora de Oliveira, em 1764, entendeu por bem criar nossa localidade, o distrito da picada de Goiás, tornando seu primeiro comandante aquele que depois viria a ser o fundador de N.senhora das Candeias (hoje Candeias, o alferes Domingos Reiz (abreviatura de Rodrigues) de Lima Tendais – segundo José Gomide Borges, historiador de candeias.

            A exata localização da picada de Goiás é conhecida e narrada por diversos autores, com as divergências naturais que levantaram polêmicas e que vamos buscar sanar em outro tópico; mas, por enquanto, ficamos com a certeza de que a estrada não foi construída jamais com a idéia de que os viandantes tivessem uma mão única, mas pelo contrário, a fim de que por outros caminhos também se chegasse a Goiás. Temos que levar em consideração ainda, como já dissemos, que eram muitos os caminhos e atalhos, e a confusão pode residir aí. As picadas, que haviam sido proibidas em 1733, voltaram a ser permitidas em 1736, “devido a introdução do novo sistema de cobrança do quinto” (apud Wakdemar de Almeida Barbosa); mas a picada de Goiás já estava sendo construída desde 1733 do lado goiano, e do lado mineiro intensificou-se principalmente a partir de 1736, com um desbravamento parcial já realizado. Os caminhos sem licença eram proibidos, pois havia a necessidade de se fazerem os registros necessários para a cobrança dos direitos de entrada. O certo é que havia três picadas oficiais, ou reais, e André João Antonil cata-as em “cultura e opulência do Brasil...”

 

A PICADA DE GOIÁS

 

            Saindo de São João Del Rei o caminho novo vinha se constituir na picada de Goiás, passando por Oliveira, São Francisco de Paula, Formiga e ia até Paracatu; daí em diante para Goiás. Partiu de São João em 1818, no dia 21 de outubro; logo pousou no arraial de Sta.Rita (hoje Ritápolis). Em seguida foi ao rio do Peixe, próximo ao arraial de S. Tiago, que por volta de 1837 (Seg. o cel. Cunha Matos) foi consideravelmente destruído. NO dia 23 ele estava no arraial de S. João Batista, hoje Morro do Ferro. Depois, na fazenda do padre João Bernardes da Silveira, que fazia parte da sesmaria de Bernardes Homem da Silveira, progenitor do pároco, que ao requerê-la, dizia ficar junto à picada de Goiás (Seg. José Gomide Borges). Enfim em Oliveira – dia 25. Depois, no engenho de Antônio Lambari: este engenho é hoje a fazenda de Lambari, pertencente à família Ribeiro de Oliveira e Silva. Antônio Lambari era Antônio Ribeiro da Silva, filho de André Ribeiro da Silva, e irmão de Serafim Ribeiro de Castro, como veremos em outra parte. Portanto, a picada de Goiás passava às margens de São Francisco de Paula, Camacho e seguindo daí para Formiga. Em Camacho ele esteve no dia 30. Depois a fazenda do padre Bernardes e finalmente o arraial de Formiga – no dia 31. Em seguida a fazenda de Arcos (onde se localiza hoje a cidade de Arcos), próxima a Iguatama que segundo o historiador de Arcos, Lázaro Barrete, tinha o nome de Porto Real; logo era uma artéria real toda a picada.

 

 

OS DESBRAVADORES – IGNÁCIO C. PAMPLONA

 

A primeira expedição tende Ignácio Pamploma no comando foi a de 1765, portanto as de 63 e 64 de D. Luiz Diogo (que iniciou o povoamento Oeste; e foi devidamente ampliado depois pelo conde de Valadares), é certo que ele estivesse junto, mas na qualidade de assistente e não dirigindo a operação. E nessa sua primeira entrada, a de 65, foram seus companheiros: José Álvares Diniz (que parece tinha grau de parentesco com André Diniz Linhares, um dos precursores de São Francisco de Paula), Antônio Afonso Lamounier (conhecidíssimo em toda região e morador de Itapecerica, tende dado o nome a cidade de Lamounier), Inácio Bernardes de Souza (de valor histórico também para a região), José Antônio Bastos, José Bernardes de Lima (este adquiriu sesmaria em São Francisco de Paula, justamente por esses feitos junto a Ignácio Corrêa Pamploma),. Manoel Coelho Pereira, Simão Rodrigues de Souza, Jacinto de Medeiros, Domingos Antônio da Silva, Leonardo Lopes e Pedro Vieira de Faria. Esta comitiva organizada pelo Mestre-de-campo Ignácio Corrêa Pamploma, em São José Del Rei (Tiradentes), partiu para o Campo Grande da picada de Goiás, e foi até Sant´ana do Bambuí, onde foi erguida a matriz de Santana. E por onde eles passassem iam erguendo uma capela.

             

MOVIMENTOS PRECURSORES DE SÃO FRANCISCO DE PAULA

 

            As datas são marcantes e a capitania de Minas Gerais só se desmembrou da de São Paulo em 1720; treze anos depois era iniciado o desbravamento mais ostensivo e com mais três anos (1736) dava-se início mais acentuadamente a construção da picada de Goiás. São datas de suprema importância para o nosso povoamento e a criação de arraias. No que concerne a São Francisco de Paula, é de grande importância o descobrimento e povoamento de Tamanduá e a criação do arraial de N.Sra. da Oliveira. Com desmembramento de São Paulo, a capitania de Minas passou a ser mais cuidada; assim, em 1764, o seu governador Luiz Diogo Lobo da Silva, como já tivemos oportunidade de ver, em sua segunda incursão pela zona Oeste de Minas, viajou com a sua comitiva no período de 20 de agosto a 10 de dezembro (esteve em Tamanduá de 10 a 11 de setembro) – para examinar os limites e vertentes e formar uma equipe disposta a penetrar e colonizar a região – de desbravamento ainda tinha muito por fazer. No entanto, desde 1745, já existia o arraial de São Bento do Tamanduá, justamente pelo grande movimento na região o que deve ter despertado a atenção do governador. Como sabemos, toda a nossa região pertencia à comarca do Rio da Morte, cuja cabeça era São João Del Rei, e estávamos incursos dentre do termo pertencente à vila de São José (Tiradentes). O início do povoamento de Tamanduá se deu em 1739 e logo se tornou em o arraial de São Bento, com a vinda de mineiro de São João Del Rei, vila de São José, e, principalmente, do Quilombo cujas minas estavam sendo abandonadas.

 

OS PRIMEIROS MOVIMENTOS DE OLIVEIRA

 

            Em que pese que a primeira sesmaria adquirida em São Francisco de Paula tenha sido a mata do Cintra, nós não a podemos considerar, uma vez que ela ficou devoluta até 1760, como veremos no seguimento. No entanto, temos que considerar, outro sim, as movimentações em Oliveira e Carmo da Mata; uma vem que, pela seqüência lógica da picada de Goiás, o povoamento de São Francisco de Paula (considerando os primeiros moradores) deve ter se iniciado, em suas primeiras luzes apagadas, de Oliveira para o Camacho. E, mais tarde, como veremos, o guarda-mor de Passa-Tempo, voltando de Piui; aí sim, foi iniciado o verdadeiro povoamento de São Francisco de Paula pelo lado de Candeias e Santana do Jacaré. Mas é tão grande a importância de Tamanduá, quanto é o povoamento de Oliveira – é que o povoamento de São Francisco de Paula iniciou-se perifericamente até a construção da capela comum.

            Com as sesmarias adquiridas em 1753 “no lugar chamado Forquilha”, por Manoel Pires de Bragança e Inácio Afonso Bragança, pelo lado de Carmo da Mata, já se iniciava os desbravamentos nas matas pertencentes ao que é hoje São Francisco de Paula e, pelo lado que divisa com Oliveira, abarcando terrenos tanto de Oliveira quanto de São Francisco de Paula, André Ribeiro da Silva e seus filhos instalaram-se no hoje conhecido Lambari. No entanto, o lado que divisava com Camacho e Itapecerica permanecia uma incógnita, uma vez que os Cintras não olharam por suas terras, deixando-as ao abandono, e, nas vizinhanças destas ainda encontravam-se outras selvagens que precisavam ser requeridas para aproveitamento. E é por isto que o descoberto de Piui veio favorecer denodadamente o povoamento do outro lado de Oliveira e Itapecerica; e é uma prova também de que São Francisco de Paula não teve início antes de Oliveira. E as datas são claras: o povoamento de São Francisco de Paula só começou realmente após a posse definitiva e distribuição de datas minerais do Piui pelo guarda mor de Passa-Tempo, Domingos Vieira da Mota. Certo que do lado de André Ribeiro da Silva e seus filhos o cultivo de suas terras já vinham formando uma espécie de povoamento com o aumento da mão-de-obra escrava, mas eram apenas os primeiros efeitos. Efeitos estes que mais tarde pertenceriam muito mais a Oliveira que São Francisco de Paula.

            E fato, a descoberta de ouro em Piui agiu como fator primordial do povoamento de São Francisco de Paula.

           

 

 

O GUARDA-MOR DE PASSA TEMPO

 

            O guarda-mor de Passa Tempo a quem foi confiada a tarefa de regularizar a situação da vila de São José, era Domingos Vieira da Mota, o capitão Domingos foi mandado a Piui e ali no descoberto tomou as medidas cabíveis e necessárias, a fim de assegurar à vila de São José os seus direitos naquela paragem e tornou-se ainda o responsável pela distribuição de datas minerais. Voltando de Piui, ao ver cumprido sua tarefa, Domingos Vieira da Mota deparou com terras devolutas em um sítio paradisíaco formado por uma região aprazível – é certo que já estivesse à busca de terras para pagamento de seus serviços. Diante de um plácido ribeirão (que depois foi batizado pelo nome de ribeirão dos Mota), ficou encantado e passou a sua comitiva, anotando os fatos mais notáveis daquela vista panorâmica, os acidentes, a corografia, enfim e todas as suas belezas naturais: a vegetação rasteira, os arbustos espaçados, as pequenas e tortas árvores, os ribeiros, as quedas d´agua, os morros e mentes e suas flores exóticas – tanto quanto a fauna. Deparou-se logo com uma miragem que o assorbebou: e assim, entre o real e o imaginário, viu aquele ribeirão ainda desconhecido pelo narrar dos viajantes que passaram pela região, e confirmado pelos guias e tropeiros da comitiva. Era um local ameno; um convite ao prazer de um confortável e merecido repouso – sem Ter a certeza todavia de que mais tarde ali seria também o reduto para seu repouso final.

            Uma pedra onde se escorria precioso filete de água a que se deu o nome de “Pedra dos Lençóis”, no morro também denominado “dos lençóis”. Tal visão extasiou sobremaneira o viajante, o azafamado guarda-mor. E este, tão logo retornou a Passa Tempo, tratou de ir a São José prestar conta à câmara e assegurar para si aquelas terras requisitando-as em sesmaria como pagamento pelos serviços prestados à coroa. A sua sesmaria cobria grande extensão de ribeirão descoberto por ele até a Mata do Cintra, que ele mesmo, ao vasculhar o terreno, descobrira que não estava sendo aproveitada pelo seu sesmeiro. E esta sesmaria ia até as nascentes do rio Lambari (que, na verdade, não é um rio, pois, como disse Oiticica: é “apenas um ribeiro de pouca importância” que estende todo o seu percurso por quatro léguas – e mais tarde serviu para dar nome à nova comarca, quando então São Francisco de Paula se incorporou a Oliveira. Logo então o capitão Domingos tratou de ir atrás de seu amigo André Diniz de Linhares, a fim de assegurar-lhe aquelas terras devolutas. Mas ali onde adquirira sua sesmaria, o capitão Domingos (tornado capitão pelos serviços prestados em Piui) ergueu uma morada rústica e passou a residir com sua família, aguardando a vinda de seu amigo, o capitão André Diniz de Linhares; até que este pudesse arrematar as terras do Cintra que iriam ser levadas a leilão. No dia 13 de outubro de 1805, o capitão Domingos veio a falecer, deixando a seus herdeiros os resultados milagrosos da natureza.

 

 

A CONTINUIDADE DO PIONEIRISMO

 

O josé Fernandes de Lima, como já tivemos oportunidade de ver, participou da comitiva de Ignácio Corrêa Pamploma, de 1765, e adquiriu a sua sesmaria em São Francisco de Paula, pelos feitos de desbravamento. Já o capitão André Diniz de Linhares, veio à região por indicação e convite de Domingos Vieira da Mota e adquiriu a sua sesmaria em território sob a jurisdição de Oliveira, porque a famosa Mata do Cintra como o Lambari pertenciam a Oliveira que já era arraial, enquanto São Francisco de Paula não tinha nem capela-comum. A mata do Cintra foi adquirida em hasta pública, na vila de São José. Hoje vemos que as terras dos Diniz Linhares em São Francisco de Paula, sendo que grande parte delas está nas mãos de outros proprietários, fazem divisa com Itapecerica e é onde se encontram as minas de grafite. Outra parte passou a pertencer ao proprietário sob jurisdição hoje da mesma Itapecerica. As sesmarias eram muito extensas, e é possível que quando Domingos Vieira da Mota trouxe o capitão andré, lhe tenha cedido alguma terra, até quando este viesse arrematar a Mata do Cintra: a extensão de uma sesmaria ia de 3 léguas de comprido por uma de largura – e as léguas eram de 5.600 metros, o que perfazia aproximadamente vinte e sete quilômetros. E foram registradas tais terras sob jurisdição de Oliveira, como nos diz José Gomide Borges, porque elas se encontravam mais próximas destas, apesar da proximidade também com Itapecerica. É tanto que a fazenda da Mata do Cintra teve parte de suas terras, pelos descendentes de André Diniz de Linhares, transferida para Itapecerica em 1888, pela lei 3.442 de 28/09/1887. Os seus herdeiros foram Francisco Diniz Linhares e João Diniz Linhares, moradores na Freguesia de São Francisco de Paula – ma estas terras confrontavam com Itapecerica e Carmo da Mata e não com Oliveira. Outro lado importante de verificação é a comprovação, pelo próprio andamento, que o arraial de N.Sra. de Oliveira foi criado antes de São Francisco de Paula que não possuía uma jurisdição própria.

            Segundo ainda o historiador de Candeias, em 1780, o patriarca dos Diniz Linhares, Cambraia Diniz, Ferreira Diniz, Proença Diniz e outros ramos, já velho e cansado, teria fixado residência em Candeias – mas é certo que sua prole mais direta continuara na sesmaria herdada e dividida. Muitos dos filhos e netos se casaram com membros de outras famílias, indo viver em Oliveira, Candeias, Santo Antônio do Amparo e outras localidades da região. Mas muitos ficaram por São Francisco de Paula mesmo, onde ainda hoje encontramos o nome conservado do patriarca Diniz Linhares.

            João dos Reys Curade adquiriu sua sesmaria a nove de setembro de 1769 na vertente do rio Jacaré, entre os córregos São Miguel e São João e confrontavam com as terras de José da Silva, e tenente Bento Vieira, o capitão Manoel da Mota Botelho e Francisco Garcia – todas em Candeias ou divisa com a mesma, ou em terreno pertencente ao arraial de Nossa Senhora da Candeias. A importância dele para a história de São Francisco de Paula reside no fato de que ele já morava na região desde 1766 e, portanto, mantinha contatos de amizades com os outros já feridos e, segundo o arquivo público de Candeias, aparecia como confinante de Domingos Rodrigues de Lima Tendais, fundador de Candeias e que fora guarda-mor em N.Sra. de Oliveira. Em 1774, João do Reys curado fixou residência em São Francisco de Paula, sendo nomeado para exercer o cargo de avaliador privativo do termo da vila de São José segundo ato da câmara desta mesma cidade que é hoje Tiradentes. Com isso vemos que o patriarca Domingos V. da Mota ao adquirir as suas terras, buscou atrair para parte de si a todos os seus mais diretos amigos, de onde podemos deduzir que São Francisco de Paula é filha da amizade que surgia também nos diversos arraiais da região. Da mesma forma o irmão do capitão Domingos, José Vieira da Mota, foi também atraído e adquiriu a sesmaria da Mata do Ribeirão, “no caminho que vai para o Piui”, segundo o códice 156, pág.191 do arquivo público mineiro: daí se vê que ele fazia parte também da comitiva do irmão, quando foi repartir as datas em Piui.

            Deixamos para falar por último acerca de André Ribeiro da Silva, porque foi ele o que primeiro adquiriu sesmaria (entre os pioneiros de São Francisco de Paula, já que não podemos contar a Mata do Cintra que não foi aproveitada de início) em termo pertencente ao que é hoje São Francisco de Paula. Dos dois filhos de André, o capitão Serafim Ribeiro de Castro (cuja sua parte de sesmaria ficou mais para o lado de Oliveira) e o carpinteiro antônio Ribeiro da Silva (que dirigiu um engenho na fazenda do Lambari) de quem mais tarde o cientista (inclusive botânico) João Emmanuel Pehl chama de “Antônio Lambari”, foi deste final que originou o ramo familiar dos Ribeiro d Oliveira e Silva, de São Francisco de Paula e Oliveira. A sesmaria de André Ribeiro da Silva foi adquirida em 1753 e confrontava com as dos Bragança do Carmo da Mata: Manoel Pires de Bragança e Inácio Afonso de Bragança e, pelo lado de Oliveira com Manoel Martins Arruda, cujo ramo familiar veio também se instalar em São Francisco de Paula. O capitão Serafim Ribeiro de Castro fixou-se mais em Oliveira e Carmo da Mata. Há também um componente de Antônio Lambari.

            Mas não podemos nos esquecer também dos Gonçalves Borges que se espalharam muito e, como diz um descendente do familiar, José Gomide Borges: “Alguns ramos desta família fixaram-se na região de Candeias, notadamente em São Francisco de Paula e Santana do Jacaré. Destacam-se os Machado Borges e os Gonçalves Borges, os primeiros em Santana do Jacaré onde houve um que fora capelão do lugar, Padre Antônio Machado Borges. Outros subiram o vale dos metais e alcançaram as vertentes do rio Santana, como Jacinto e Francisco Machado Borges.” Segundo a mesma fonte, os gonçalves Borges tiveram o seu primeiro estabelecimento em São Francisco de Paula.

 

 

AS PRIMEIRAS DIVISAS SESMÁRICAS

 

            Pelo lado que divisa São Francisco com Oliveira e Carmo da Mata, encontramos, em se referindo à sesmaria de Inácio afonso Bragança: “(...) e, outro sim, declaram os ditos louvados que as terras medidas que compreendem esta sesmaria na demarcação do rumo oeste, até uma cachoeirinha que nasce da ponta da serra, que será meia légua, pertenciam por posse que delas tomou Manoel Martins Arruda (pioneiro do povoado dos Martins, Oliveira), as quais lhe ficaram pertencendo a ele dito Arruda, por trate que entre si havia feito com o dito sesmeiro (Inácio); e da dita cachoeirinha declarada até o lugar do pião (marco de orientação), chamada posse da que pertencia a André Ribeiro de Oliveira e Silva por posse e trato que também havia feito com o mesmo sesmeiro, e do lugar do pião correndo rio acima entre o alto da cachoeira, ficam pertencendo a Inácio Afonso Bragança... “Vemos assim que se de um lado os sesmeiros se reuniam ligados pelos laços de amizade: Domingos Vieira da Mota, André Diniz de Linhares, João dos Reys Curado, José Vieira da Mota (sendo que destes dois últimos as terras não pertenciam à jurisdição que hoje é de São Francisco de Paula); de outro lado José Fernandes de Lima, os coelhos e os Gonçalves Borges. De outro ainda, por outros laços de amizade e compadrio, reuniam-se André Ribeiro da Silva e filhos, Manoel Martins Arruda, mais Inácio Afonso de Bragança e Manoel Pires de Bragança. E André Ribeiro da Silva dividia a sua sesmaria em duas, para cada um de seus filhos: a de Antônio ficava em território Francisco-paulense e a do capitão Serafim que ficava em território oliveirense, até a divisa com o que é hoje Carmópolis de Minas – só daí se pode Ter uma idéia da extensão de uma sesmaria. Vamos assim que, se pelo lado Oliveira deu-se o primeiro povoamento de São Francisco de Paula, pelos lados de Santana do Jacaré e Candeias deu-se a verdadeira manifestação de se instituir um povoamento real. Portanto, o verdadeiro precursor para se erigir a capela, como origem de congregação coletiva foi Domingos Vieira da Mota e não outro, em que pese a preciosa participação de José Fernandes de Lima na constituição (construção?) da capela e patrimônio, exemplo que foi seguido mais tarde por seu filho Manoel Fernandes de Lima.

 

A PICADA E O DESENVOLVIMENTO DE SÃO FRANCISCO DE PAULA

 

            Como já vimos, a picada de Goiás não passava dentro de São Francisco de Paula como em Oliveira, que era atravessada dos cabrais ao córrego Maracanã, e daí seguia em diante, passando próximo ao engenho de Antônio Lambari, já em São Francisco de Paula, tomando rumo de Camacho. Portanto passava bem às margens do futuro povoado. E isto não representa em absoluto o menor desenvolvimento da localidade, uma vez que não passava também em Itapecerica, nem em Campo Belo – como já vimos, havia desvios para as localidades de interesse. Camacho mesmo era bem privilegiada pela picada e não prosperou tanto assim. Lógico que ela não deixou de influir no desenvolvimento dos povoados que ela cortava, mas existiram outras razões preponderantes para que uns arraiais se desenvolvessem mais que os outros; uma vez que, ainda que ela atravessasse o lambari e seguisse para Camacho, não deixava outro sim de passar em terras de São Francisco de Paula – e, portanto, era como se passasse dentro. E além disso, como sabemos, existiam muitos desvios e atalhos, e mesmo Tamanduá que passou mais tarde a termo da comarca ficava apenas num desvio do caminho novo. 

            Em 1790, apesar de São Francisco de Paula já possuir então a sua capela (como veremos adiante) consagrada e filiada à de Tamanduá, esta nem é tanto assim reconhecida (pela proximidade com Itapecerica) – daí é que a capela do santo de Paula passou a Ter menor condicionamento evolutivo, devido ainda a dependência a S.Bento do Tamanduá (em que pese a proximidade e facilidade) em lugar de S.José.

            Apesar de todos os entraves possíveis, do ponto de vista comercial, com a criação da vila de S.Bento do Tamanduá, Campo Belo desenvolveu-se mais convenientemente e tornou-se paróquia em 1818 antes de Oliveira, quando teve acrescida à sua área as capelas de São Francisco de Paula, Santana do Jacaré, e Cana Verde, e veio a perder as duas últimas para santo Antônio do Amparo, cuja freguesia foi criada em 14/06/1832. Para São Francisco de Paula, no que se refere à assistência espiritual ficou bem dotada, pois o caminho para Campo Belo além de representar uma distância menor (assim como o de Itapecerica), tinha por isso mesmo uma comunicação melhor do que ir a S. José – e continuava tendo a assistência de Oliveira, a partir de 1832 principalmente, quando foi criada a sua freguesia. O fato de pertencer ao termo de S.Bento do Tamanduá se não propiciou a São Francisco de Paula melhorias maiores no que diz respeito ao âmbito do econômico, no entanto facilitou-lhe os entendimentos e atendimentos de caráter espiritual, educativo e salutar – ainda que o mais deficiente este último para todos os arraiais e vilas.

 

MOVIMENTO DA CRIAÇÃO DO ARRAIAL

 

            Como já vimos, a primeira sesmaria doada talvez para a região, foi a mata de Cintra que pertence hoje a São Francisco de Paula; mas também como já vimos, essas terras jamais tiveram aproveitamento, senão quando arrematada pelos Diniz Linhares. Portanto, temos que começar de 1753, quando quatro compadres resolveram apossar-se de terras devolutas que davam para os lados da forquilha (divisa de Carmo da Mata, Oliveira e São Francisco de Paula), eram eles: Manoel Martins Arruda, que tomou posse das terras onde hoje encontramos o povoado e bairro dos Martins – subúrbio de Oliveira; Manoel Pires de Bragança e Inácio Afonso de Bragança, onde mais tarde fundou-se a Ermida da Mata do Carmo (hoje Carmo da Mata); e André Ribeiro da Silva, com seus dois filhos, Antônio e Serafim, às margens do rio Lambari – hoje município de São Francisco de Paula e faz divisa com Carmo da Mata e Oliveira. Para as terras que se estendiam para o outro lado, apareceram outros interessados, na figura do guarda-mor e depois capitão Domingos Vieira da Mata, mais para a divisa com Camacho e Candeias; e depois atraído por este o capitão André Diniz de Linhares, que arrematou em leilão as terras do Cintra. E estes foram os principais pioneiros do arraial de São Francisco de Paula, acrescido de José Fernandes de Lima e os gonçalves Borges, no que tange às posses de terras. Mas quanto à sua fundação, mesmo como simples marco constitutivo de povoamento, a figura exponencial é ainda o capitão Domingos Vieira da Mota; tanto pela ereção da capela (não mais aquela capelinha – ermida ou erada – existente nos engenhos ou nas fazendas, para uso exclusivo do proprietário e os seus familiares e amigos), que temos que considerar a grande participação de José Fernandes de Lima e André Diniz de Linhares, quanto por Ter por volta de 1765/6, conclamado a todos a continuidade das obras do povoamento e erguer a capela que realmente veio dar a característica real de uma povoação, dando-lhe, junto aos outros referidos, o patrimônio e mão-de-obra. Aí aconteceu o fator que veio fazer com que São Francisco de Paula tomasse verdadeiramente feição de povoado e passasse realmente a constituir-se em tal, quando foi atraído para o local João dos Reys Curado, que veio de Candeias.

            Em 1789 o capitão-general e governador de Minas, Visconde de Barbacena, emitiu ordem para elevação à categoria de vila e arraial de Tamanduá (que havia sido reconhecido como arraial em 1745); e este, a partir de 1790 passou a denominar-se S. Bento do Tamanduá com a sua comarca composta de 34 distritos. Daí S.José Del Rei cedeu parte de sua comarca, tendo como linha divisória de termos o rio Lambari, sendo do lado de S.José, Oliveira e do lado de S.Bento do Tamanduá, São Francisco de Paula.

            A família dos Gonçalves Borges foi importante para São Francisco de Paula na fase seqüencial de colonização. Vinda de Trás-os-Montes, Portugal, logo se instalou em São Francisco de Paula, de onde salientaram José Gonçalves Borges, Antônio Gonçalves Borges e Bernardo. José e Antônio tornaram-se regentes de assaltos à capitura de negros quilombolas escondidos nas matas; José foi designado para São Francisco de Paula em 1803, enquanto seu cargo em Santa do Jacaré, designado que foi na mesma época. O capitão José Gonçalves Borges casou-se com Jacinta Luiza da Conceição e fixou-se definitivamente em São Francisco de Paula. E, como vemos no regulamento de D.Lourenço de Almeida, apesar que tais leis já continham modificações, o costume do brasileiro passar por cima delas é antigo; assim José Gonçalves Borges permaneceu trabalhando em São Francisco de Paula – às vezes era obrigado a sair para outras paragens em busca de negros, mas com pouco tudo foi se assentando e ele passou a cuidar tão somente de seus negócios no arraial. Ficando viúvo em 1811, tratou logo das segundas núpcias com Teodora Dias da Cunha, e a cerimônia foi realizada na capela de São Francisco de Paula, quando era capelão o pe. Manoel Veloso da Silva. A primeira esposa de José Borges, Jacinta, faleceu em Abril daquele mesmo ano em que ele se casou novamente a nove de Setembro – portanto ele curtiu a viuvez apenas cinco meses, o que era então costume. Depois foi residir em Candeias. Houve ainda o caso de uma filha de José com Jacinta, Maria Clara de Jesus, com o registro de Batismo em 1789, que depois se casou com João Martins Arruda (filho de Fernando Martins Arruda), mais precisamente a 25 de Novembro de 1802 na capela de São Francisco de Paula -estes Martins arruda são descendentes (filho e neto) de Manoel Martins Arruda, fundador do povoado dos Martins em Oliveira. Daí se vê que a história de um arraial se misturava de tal maneira a de um outro, que a história de São Francisco de Paula será a história de Oliveira, como a de Oliveira será a de Carmo da Mata e assim por diante...

 

O ESPÍRITO CULTO E RELIGIOSO

 

            A cultura aliada à higiene, como já vimos, foi a escassez geral pelo Brasil afora, e um povoado tão pequeno como São Francisco de Paula no seu surgimento, lutou mais ainda para evadir-se de tamanha falta, sem lograr êxito, a não ser dos proprietários com maiores recursos que podiam enviar seus filnos a Vila Rica, Mariana, São João Del Rei ou Rio de Janeiro – mas estes mesmos lutavam naquela época com o problema maior do desbravamento das terras, do assentamento definitivo de sua propriedade e com o cultivo delas – a fim de que não as perdessem por devolutas, tornando assim as preocupações próprias maiores do que com a cultura dos filhos. Havia alguns rudimentos da intrução de primeira letras, apesar de tudo; pois já em 1721 há uma carta régia datada de 22 de Março e assinada por D.João V ao senado da câmara de São João Del Rei, mandando nomear mestres para a vila. Isto em se tratando da comarca do Rio das Mortes, é muito pouco ou quase nada. Devemos mesmo os primeiros graus de instrução em São Francisco de Paula e nas outras povoações da região, ao desencanto dos párocos para com a religiosidade dos moradores, que os levava sentir a necessidade que tinham de pelo menos os primeiros rudimentos das letras – por isto muitos padres além de ensinar na sua paróquia, buscavam também levar as primeiras letras aos subúrbios, freguesias, capelas e arraias distantes. Mas foi somente a 30/01/1774 que instituiu-se a primeira escola pública na capitania de Minas Gerais em S.João Del Rei, com aulas régias de latim. E em São Francisco de Paula, por seu lado, o pe. Manoel da Cunha Pacheco, por seus auxiliares visitadores, levava alguma luz à povoação no que tange o “temor de Deus” e o beabá. O pe. Manoel Pacheco residia em Tamanduá, mas, por outro lado, havia outros padres viajadores, que vinham de longe, a pastorear as suas ovelhas – e, como já vimos, o capelão de São Francisco de paula era o pe. Manoel Veloso da Silva.

            Do ponto de vista da medicina profilática ou medicamentosa, encontrava-se os próprios fazendeiros, os negros velhos ou os caboclos a curar ou abreviar o tempo de vida da maneira mais empírica e natural possível, quando não surgisse um barbeiro ambulante ou um mascate a vender remédios com “fórmulas milagrosas” e “curas infalíveis.” Além de outras pessoas, muitos faziam uso das formas mágicas, apreendidas dos negros e dos caboclos.

            Segundo consta em documentos antigos, eram quatro festas religiosas mais importantes no ano; entre elas o “Corpus Christi” e a procissão das cinzas (Quarta-feira de cinzas). Mas o sentido específico dessas festividades cristãs era muito mais de caráter mercantilista do que anímico – visava-se o alto conceito social, quando as seis pessoas mais conceituadas do local eram encarregadas de conduzir as varas do pálio na festa do corpo de Deus.

            As casas de fazenda da época eram quase sempre mal cuidadas e modestas. Saint Hilaire descreve uma dessas: “Ficava situada, como as senzalas, ao fundo de um vasto terreiro e rodeada por mourões que tinham a grossura de uma coxa e a altura de homem, tipo de cercado muito comum na região. Da varanda, bastante ampla, em cuja extremidade fora erguido um pequeno oratório, passava-se para uma grande peça coberta de telha-vã e de paredes sem caiação, cuja única mobília consistia em alguns bancos de madeira, tamboretes forrados de couro e uma enorme talha com um caneco de ferro esmaltado para retirar água”, e continuava mais à frente: “Depois de Tamanduá, principalmente, já nos limites do sertão, as casas da sede das fazendas se compõem de várias edificações isoladas, mal construídas e dispersas sem ordem, no meio das quais dificilmente se distingue a residência do proprietário.”

 

A CAPELA DE SÃO FRANCISCO DE PAULA

 

            Em resumo, se por volta de 1754 em diante iniciava-se o povoamento de São Francisco de Paula, no entanto do Campo Grande e Picada de Goiás ainda permanecia inóspita em 1759, quando o caçador de quilombolas, Bartolomeu Bueno do Prado saiu de São João Del Rei em busca de terras devolutas para a câmara daquela vila. Portanto, o grande desbravador de nossas paragens, não foi senão Ignácio Corrêa Pamploma, que a partir de 1765 saiu tomando posses para São José e fundando capelas por toda a região. A princípio, a concentração populacional foi maior em Oliveira ao longo do tempo, devido à proximidade com os outros pequenos centros de onde absorveu o melhor contingente e, temos como dado corroborativo o fato de que os sesmeiros Domingos V. da Mota e André Diniz Linhares concentraram-se mais em São Francisco de Paula e Candeias, assim como José Fernandes de Lima e os Gonçalves Borges, que se fixaram não só em Candeias como Santana do Jacaré (ficando como seu remanescente em São Francisco de Paula aquele que mais tarde viria a ser um baluarte no desenvolvimento do arraial, o capitão Salvador Borges da Silva). Só aos poucos uns e outros foram saindo para outras paragens e muitos dessas descendências permaneceram na região que lhes era própria e, alguns, até deixaram São Francisco de Paula antes que suas terras fossem transferidas com a demarcação limítrofe de novos municípios, tanto quanto outros mais que foram à caça de melhores promessas, vendendo suas terras e partindo (como os descendentes de Domingos Vieira de Mota). Já aqueles cujas terras se misturavam às de Oliveira, se prenderam muito mais a esta, mas jamais deixaram de dar assistência à comunidade francisco – paulense.

            Os proprietários em São Francisco de Paula passaram a adquirir uma propriedade também em Oliveira, a fim de que estivessem mais perto, não só dos grandes negócios, mas que também pudessem suprir suas faltas, uma vez que ali os recursos tornavam-se consideráveis. Aconteceu assim um impedimento expancionista de São Francisco de Paula (se Oliveira por um lado, de outro Campo Belo e Itapecerica em menor escala), mas a concentração agrária, às vezes mais intensa que Oliveira não se perdeu de toda, e a pecuária persistiu sempre em alta, levando seus lucros para outras paragens que não São Francisco de Paula. Por isto, o seu comércio permaneceu estacionário e o campo industrial inexistente – São Francisco de Paula tornou-se fator cooperativo para o desenvolvimento de Oliveira, Campo Belo e Itapecerica em primeiro plano; e depois Candeias e Carmo da Mata – uma vez que os abastados fazendeiros e engenheiros (donos de engenho iam despejar o seu dinheiro onde houvesse um comércio mais ativo – como os de Oliveira iam despejar os seus valores em São João Del Rei ou Ouro Preto.

 

A EREÇÃO DA CAPELA

 

            Sabe-se que o início de São Francisco de Paula, assim como da maioria das cidades de nossa região foi uma capela. Esta capela foi construída “às margens da picada de Goiás”, por provisão de 1766, quando recebeu a bênção a 16 de fevereiro do ano de 1770 e, tornada filial da de Tamanduá. Porém, toda a região do Campo Grande ainda pertencia a São José. E veio o processo econômico desencadeando um determinismo específico que pudesse corresponder relativamente às aspirações vigentes então, que não eram nem sequer de arraial ou vila, mas de simples agrupamento ou povoamento. Segundo reza a tradição, o que temos que levar em conta – pois são os dados que nos legou próprio tempo – é que as terras deram origem à povoação foram doadas em sesmaria aos Cintras e aos Lima, e em 1774 “já se constituía o patrimônio da capela” (Luiz G. da Fonseca), por doações de sesmeiros, onde chegaram mesmo a incluir o nome de Manoel Fernandes de Lima – o que seria impossível, visto que este personagem da nossa história era ainda uma criança. “Porém um registro da casa paroquial de São Francisco de Paula confirma o Manoel Fernandes de Lima como o doador de um patrimônio à igreja de Nossa Senhora do Rosário no mesmo São Francisco. “Os Cintra que tiveram a primeira doação de terras, onde se encontra hoje a mata do mesmo nome, não tomaram posse definitiva, por falta de aproveitamento dela que foi a leilão, sendo arrematada por André Diniz de Linhares em 1760. Estas terras foram adquiridas em sesmaria por título régio, em arrematação na vila de São José em hasta pública, pelo referido André Diniz a convite de Domingos Vieira da mota que se juntara a José Fernandes de Lima e organizaram capela e patrimônio – cuja participação dos Gonçalves Borges e Antônio Ribeiro da Silva não deixou de acontecer e foi preciosa. Portanto, cremos, esta primeira capela só pode ter sido construída onde é hoje a matriz (o que é mais lógico, como veremos em documento posterior do bispo de Mariana) com um patrimônio feito pela cooperação de cada um dos sesmeiros (cedendo um pequeno pedaço de suas imensas terras que se encontrassem num determinado ponto – de preferência um outeiro), onde se formou um grande largo; e, aos poucos, vieram construir-se as ruas cortando o redor da praça. Daí então, foi-se aumentando o patrimônio de acordo com a chegada de novos moradores que iam comprando outros pedaços de terras.

            Dos Cintra não encontramos mais nenhum vestígio de continuidade histórica, pois que não residiram nas terras, ou se o fizeram foi por pouco tempo e, àqueles que reputam a Manoel Fernandes de Lima a construção da capela, podemos dizer que ele contava com apenas nove anos de idade quando a capela foi erguida. Era filho de José Fernandes de Lima, que acompanhou a expedição de Ignácio Pamploma em 1765, no povoamento oeste, quando adquiriu a sua sesmaria em São Francisco de Paula – portanto, em 1766, quando da construção da capela, já estava instalado em suas terras. Mas como podemos supor e ao contrário do pensamento geral, o fato da concentração populacional ter se manifestado mais em Oliveira que em São Francisco de Paula, é por Ter sido aquela a mais antiga fundação e, por isto mesmo, Ter tido a possibilidade de desenvolver de melhor forma o seu comércio.

            A capela de Nossa Senhora da Oliveira é, pelo menos, dez anos mais antiga que a de São Francisco de Paula (...) quando o governador Luiz Diogo esteve no arraial de Nossa Senhora da Oliveira, em 1764, São Francisco de Paula não existia nem como capela nem como patrimônio. É possível que o historiador de Oliveira tenha dado a postura de mais antiga a São Francisco de Paula e outras da região, pelas primeiras terras adquiridas por sesmeiro que, como no caso de São Francisco de Paula, nem chegaram a fixar-se na região. Na verdade temos que considerar como verdadeiro marco de uma fundação como povoamento, a estabilização de um patrimônio que a viesse caracterizar enfim como arraial. E tal caracterização só veio ocorrer em São Francisco de Paula a partir de 1766, quando então o arraial de Nossa Senhora da Oliveira já estava bem caracterizado desde 1758.

           

AGRICULTURA E PECUÁRIA

 

            São Francisco de Paula não possuiu um solo de mineração, mas pertencendo ao termo de Tamanduá, digo São Bento de Tamanduá que possuía (ainda que tenha durado pouco) e hoje possui a grafite, assim como São Francisco de Paula; e estando à margem da picada de Goiás, que levava os aventureiros à busca do ouro, deve, por isto mesmo, muito à mineração, em vista de sua fundação e desenvolvimento. Evidentemente o “ciclo do ouro” foi de suma importância para o desenvolvimento de toda região do Campo Grande da picada de Goiás – mesmo àquelas localidades que não possuíam lavras. E com a decadência do metal e das pedras preciosas é que se firmou as regras de continuidade dos arraiais, que tomaram como solução a lavoura, a pecuária e o pequeno comércio de seus produtos. Foi, em toda região do Rio das Mortes e Campo Grande, ao longo da picada de Goiás onde mais se desenvolveu a agropecuária, que já existia muito antes do declínio da mineração (mas a partir daí tomou novo impulso) e, o comércio cresceu muito (como vimos na memória estatística de São Bento do Tamanduá), pois todo o distrito do Rio das Mortes era o celeiro de Minas Gerais. Afinal, veio a decadência dos metais definir e firmar São Francisco de Paula, Oliveira, Carmo da Mata, Candeias, Carmópolis e tantas outras, enfim região, como agropastoril; a tanto, que o recenseamento feito ainda que de maneira mais ou menos deficiente (anterior a 1888) – segundo a “Gazeta de Oliveira – edição 20, de 15/01/1888 – deu a seguinte distribuição, pelas seis freguesias da comarca do Rio Lambari, da seguinte forma:

 

 

 

 

 

Santo Antônio do Amparo.....................................................................................6.266

São Francisco de Paula..........................................................................................5.449

Oliveira..................................................................................................................4.216

Cláudio...................................................................................................................4.111

Japão (Carmópolis)................................................................................................3.295

Passatempo.............................................................................................................2.876

           

Vemos assim que Santo Antônio do Amparo era a freguesia mais populosa e depois São Francisco de Paula, pois possuíam uma agropecuária mais ativa que as demais, e por isso, se concentravam um contingente populacional maior na zona rural. Por que? Ora, havia o fato de que, naquele tempo, em vista de não haver tanto êxodo como hoje encontramos (a população trabalhava mesmo era na roça). Justamente por causa da intensa atividade agropastoril e a falta de um campo industrial e um comércio mais ativo que pudesse gerar empregos. E, ainda, principalmente, pelo grande número de escravos nas fazendas. O engenho do Lambari dava muito emprego e era grande ainda o número de escravos, mesmo às portas da abolição. Spix e Von Martius, passando por São João Del Rei, já informavam: “A própria vila tem uma população de seis mil habitantes, dos quais apenas um terço é de brancos”, porque o número de escravos e negros libertos era grande. E, além disso, os escravos alforriados, por não saber fazer outra coisa senão lavrar e cuidar do gado, permaneciam e muitos permaneceram após a abolição, em seus lugares habilitados pelos que fazeres há tempos acostumados. A decadência de arraiais mineradores e houve um êxodo crescente para outros arraiais e vilas, o que preocupou a corte com respeito de uma melhor ordenação da agricultura e do gado.

 

A FORMAÇÃO DE SÃO FRANCISCO DE PAULA HOJE

 

            Os dados relatados até agora, mostram como era a vida na época colonial e como São Francisco de Paula se formou, no encontro mesopotâmico, da formação em delta do rio Santo Antônio com o ribeirão do Cintra e córrego do Carrapato. São Francisco de Paula se divide ao norte com Itapecerica e Carmo da Mata. Na hidrografia da sua divisão com Itapecerica encontramos o córrego Areal e ribeirão do Cintra; no limite com Carmo da Mata, o córrego do Carrapato e o córrego do Lambari que é uma extensão do ribeirão Lambari. Nessa região norte, bem lá na ponta, formando um triângulo, o morro da Limeira, próximo estão a fazenda do Cintra e da Mata do Cintra; pois aí se encontra toda a antiga sesmaria denominada da Mata do Cintra, banhada pelo córrego Jacarandá. No mapa de 1978, dava nessa região, a existência de uma escola: a de S. José do Cintra. Banhado pelo córrego Lambari, encontramos os Monteiro, onde se instala a Escola Joaquim Cardoso, nos campos – isto na divisa com Carmo da Mata. No outro lado, na divisa com Itapecerica, região banhada pelo córrego areal, o cacau; e na parte central, os pereiras, com córrego Pereira, onde encontramos a escola José Fernandes, uma das mais antigas de São Francisco de Paula – próximo a ela vamos encontrar o córrego denominado Três Córregos. Pelo lado leste, próximo ao cacau, vamos encontrar a fazenda da aguada.

            Já na sua parte central, São Francisco de Paula divide-se pelo lado oeste com o Camacho e pelo leste com Oliveira; a oeste, o córrego dos Motas (descoberta do pioneiro Domingos Vieira da Mota, como já vimos) ou da cachoeira marca a divisória, onde encontramos a fazenda do anil, as escolas farmacêuticas Américo Santos e Santa Maria, a fazenda do Pinheiros – um pouco mais abaixo – e é uma região banhada pelo ribeirão dos doidos. Mais pelo lado leste, vamos encontrar o ribeirão Lambari estabelecendo o marco divisório com Oliveira, quando então vemos na Lagoinha a Escola “ Olegário Ribeiro”, mais para baixo a fazenda do Morro Vermelho e, ao nível desta fazenda, o córrego da Taboca, onde um pouco abaixo, encontramos a fazenda Nova Tijuca, bem no centro, lado a lado com ribeirão dos doidos, pelo lado leste, encontramos o ribeirão do Quebra-Anzol, que banha o povoado do mesmo nome. Abaixo da fazenda Morro Vermelho, vamos encontrar o córrego da Água Limpa e outro córrego de nome Três Córregos. Entre estes Três Córregos e o Taboca, encontra-se a fazenda nova Tijuca, bem próxima ao ribeirão Lambari. Um pouco abaixo vamos encontrar, ainda do lado leste, a fazenda Quebra – Anzol (já citada com o povoamento do mesmo nome), onde ao lado, indo para o ribeirão Lambari, encontramos o córrego do Rosa e, mais para abaixo, a fazenda do Lambari (a mesma já citada). No centro, vamos topar com o córrego da machadinha, já próxima ao perímetro urbano, onde temos do lado oeste o córrego do Morro, e banhando a fazenda do Coelhos o córrego dos Contas, que no encontro com o do Morro, perto da fazenda Três Irmãos, forma outro ribeirão dos Doidos. No centro, para o sul do perímetro urbano, vamos encontrar a sombra fresca de Homero Ribeiro, e mais para oeste, a fazenda do Jacaré, até as margens do rio Jacaré, onde vamos encontrar a sombra fresca de Hamilton Ribeiro. Voltando a oeste vamos encontrar a fazenda da Serra, abaixo da fazenda Três Irmãos, caminhando para o sul. Entre o ribeirão dos Motas e o ribeirão Retiro, encontra-se Santa Bárbara e, mais para o sul, a fazenda da laje, e do outro lado do ribeirão Jacaré a fazenda Várzea Grande, que fica também às margens do rio Jacaré. O ribeirão do Mota faz quase toda a limitação leste de São Francisco de Paula, até que no encontro com ribeirão do Retiro, ele toma o nome de córrego da Cachoeira, prosseguindo até o rio Jacaré no limite sul. Neste perímetro citado, encontramos então as fazendas da Paca e Boa Vista, onde caminhando um pouco mais para e dentro topamos com a escola “Mariana Resende” e a fazenda Jacaré. No ponto extremo sudeste, encontramos as fazendas (próximas à fazenda Boa Vista, já citada) Bela Vista e Canoa e, enfim, o rio Jacaré, estabelecendo o marco divisório oeste com Candeias e a divisa ao sul com Santana do Jacaré e Santo Antônio do amparo. A região compreendida abaixo do rio Jacaré, para o lado leste, vamos encontrar a fazenda do Mangue, logo às suas margens. No córrego Bela Vista, afluente do Jacaré, outra fazenda denominada Bela Vista, e, mais para leste a fazenda chamada Perobas, para baixo desta vamos encontrar outro córrego chamado do Retiro e a fazenda Varjão, que vai até o ribeirão do recreio, afluente do Jacaré, que forma mais ao sul o córrego da Lajinha. Fica às margens do córrego do Retiro, citado acima, a fazenda do Retiro e, mais um pouco acima desta, está a cachoeira do Bittencourt com a fazenda do mesmo nome. Ainda na margem esquerda do Jacaré encontramos a fazenda denominada Barreira e a serra do Perau, onde corre o córrego Sapecado e ainda a fazenda Perau. Depois o ribeirão do paulista com a fazenda Mata do Paulista, entre o córrego do Onça e o ribeirão do Bittencourt, com seu afluente o córrego do Mangangá, a fazenda S. Sebastião do Retiro, e mais abaixo a fazenda do Bittencourt e a escola “Mário Campos”. E, já na divisa com Santo Antônio do Amparo, o alto do Bittencourt com a fazenda do Mangue, banhada pelo córrego do mangue,-na ponta sul. Estes são os limites de São Francisco de Paula que permaneceram desde sua formação colonial. Terras foram perdidas, terras ganhadas, como veremos no desenrolar da história.

 

SITUAÇÃO GEOGRÁFICA

 

 

As distâncias de São Francisco de Paula às cidades mais próximas são: Oliveira – 18 Km; Campo Belo – 45 Km; Boa Esperança – 96 Km; Divinópolis – 96 Km; Formiga – 100 Km; Itapecerica – 36 Km; Santana do Jacaré – 35 Km. Distâncias dos principais centros: Belo Horizonte – 180 Km; São Paulo-468 Km; Rio de Janeiro – 535 Km; Vitória – 705 Km; Brasília – 890 Km.

ASPECTOS GEOGRAFICOS:

            O Município de São Francisco de Paula está localizado no Centro Oeste de Minas Gerais, na região do Campo das Vertentes, atravessado pelo meridiano 45. São Francisco de Paula limita-se ao norte com Carmo da Mata e Itapecerica ; ao sul com Santana do Jacaré e Santo Antônio do Amparo; a oeste com Candeias e Camacho e a leste com Oliveira. O município possui uma área de 309 Km, uma população de 6.534 habitantes e 4.390 eleitores*. Encontra-se a uma altitude máxima de 1.176 metros e mínima de 967 metros e uma temperatura mínima anual de 21° C.

            São Francisco de Paula fica no Planalto Atlântico, de formação cristalina e apresentando serras. Tem uma vegetação de flores tropical, campos e serrados. O rio Jacaré é o principal da região, afluente do rio Grande, fazendo parte da bacia hidrográfica do rio Paraná.

 

*Censo de 2001.

 

SÉCULO XX

 

 

  

SÃO FRANCISCO DE PAULA E O SÉCULO XX

 

 

 

Até o governo de Juscelino Kubitschek como presidente da república, o Brasil estava estagnado em termos de um progresso revolucionário. A política do “Café com Leite” havia demonstrado mais uma rivalidade entre Minas Gerais e São Paulo do que ideais de uma política progressista. Os maiores beneficiados de tudo isto eram os “Coronéis” de ambos os estados, pois eles apoiavam os candidatos em troca de privilégios. O apoio dos “Coronéis” era fundamental, já que eles exerciam grande influência sobre o eleitorado interiorano, pois este dependia muito do favor daqueles. Eram chamados pejorativamente de “eleitores de cabresto”.

No governo de Getúlio Vargas, executando-se reformas nas leis trabalhistas que teve como principal acontecimento a instituição do salário mínimo e a construção da Usina Siderúrgica Nacional em Volta Redonda – RJ, quase mais nada de notável houve a acrescentar em termos de progresso.

Em Minas Gerais, as estradas da época, anterior ao governo JK, eram sem pavimentação e, para se ter uma idéia das dificuldades de transportes, gastavam-se cerca de nove horas de Oliveira à Belo Horizonte em viagem de ônibus. Além disso, as estradas eram poeirentas e muitos dos viajantes tinham de usar um guarda-pó, se não quisessem sujar as suas roupas com a poeira. Com a abertura da rodovia 381 (Fernão Dias), ligando Belo Horizonte a São Paulo, passando apenas oito quilômetros de Oliveira, encurtou-se de tal forma a distância desta a Belo Horizonte que se gasta atualmente de uma a outra cidade de ônibus menos de três horas.

São Francisco de Paula se viu também beneficiada com esta rodovia, pois em 1972 era aberta a BR 381 ao sul de Minas e Paraná, passando praticamente dentro de São Francisco de Paula. A Cidade de Campo Belo, depois de São Francisco de Paula, foi a mais beneficiada, pois encurtou-se na casa dos trinta quilômetros o seu acesso à Fernão Dias.

Até 1976, quando foi construída a ponte sobre o rio Jacaré com estrutura de concreto armado, as outras, com estrutura de madeira, eram sempre levadas pela correnteza em épocas da cheias.

Das primeiras décadas até final da de 60, em São Francisco, excetuando a sua emancipação política-administrativa, quase nada de notável aconteceu. O que ocorriam eram brigas e intrigas políticas, com uma marca da rivalidade entre os partidos da União Democrática Nacional (UDN), chefiadas pelo Cambraia e o Partido Social Democrata (PSD), chefiado pelo Ferreiras. Da família Ferreira, somente o João Ferreira de Assis não era filiado ao PSD e sim a UDN. Essas brigas políticas, além de improfícuas, ainda envolviam a questão pessoal, a exemplo do que ocorreu ainda nos dias de hoje.

Quando São Francisco ainda era distrito de Oliveira, em época de eleição, o cidadão francisco-paulense ajudava até a decidir uma eleição municipal. Além disso pagava os seus impostos; mas o que o distrito tinha de retorno em termos de beneficio? Praticamente nada. pior ainda ficava quando o prefeito não havia recebido o apoio do povo de São Francisco; aí, então o distrito era relegado ao ostracismo como de retaliação, coisa inerente à política em todo o mundo, desde as épocas as mais remotas. Acrescente-se a isto o conservadorismo reinante na política oliveirense da época e que somente entre décadas de 80 e 90 é que foram revolucionadas pôr novas lideranças, com idéias mais arrojadas e administrações mais progressistas. Se com isso Oliveira ficou prejudicada, com o seu progresso praticamente comprometido, imagine então São Francisco de Paula como dependente dessa política na qualidade de um simples distrito!

Por aquela época, os políticos mais poderosos e influentes eram os fazendeiros, verdadeiros “Coronéis” que mandavam e desmandavam no distrito. alguns chegavam a cometer arbitrariedades, principalmente com aqueles que lhe pareciam mais fracos. Vivíamos por essa época num sistema parecido ao feudalismo medieval, onde um capataz ou simples empregado de fazenda que prestasse serviço ao patrão com servilismo, tinha deste a sua proteção, ainda que fosse fora-da-lei. Até a polícia prestava obediência aos “Coronéis”.

Infeliz do município que depende política e administrativa de outro e não pode por si resolver os seus problemas! Fica à mercê da incompetência de políticos que chegam ao poder tangidos mais por uma necessidade de alcançar status do que guiados por um ideal progressista. Felizmente chegou o dia 1º de março de 1963 quando São Francisco de Paula pode enfim comemorar a sua emancipação política – administrativa arrancada com suor de poucos, que lutando contra influência poderosas, que colocavam estorvos, sendo também um estorvo naqueles grandes cometimento.

A melhor coisa que aconteceu até principio da década de 60 foi a primeira eletrificação de São Francisco pelo então prefeito de Oliveira Athos Cambraia de Campos, já no final do sue mandato, em 1950. Já em 1963, no dia 30 /03, após a instalação do município, aconteceu a eletrificação pela CEMIG.

No geral, São Francisco de Paula não logrou sucesso em termos de progresso por vários motivos, sendo os motivos, sendo os principais: A sua colocação entre duas cidades grandes como Oliveira (18 KM) e Campo Belo (45KM); a precariedade das estradas que ligavam São Francisco tanto a Oliveira como a Campo Belo, tornando-se difícil o tráfego por elas, principalmente nas épocas de chuvas; a falta de uma via férrea, indústrias,bem como um comércio mais ativo, capaz de garantir uma auto-suficiência à localidade.

Foi somente após a sua emancipação, principalmente dos finais da década de 60 para cá, que São Francisco de Paula teve um crescimento e desenvolvimento relativamente mais avançado, apesar não contar com a iniciativa industrial como aliada para conseguir um progresso mais amplo. Isto nós veremos mais à frente.

 

 

 

O ENSINO EM SÃO FRANCISCO DE PAULA

 

 

 

Antes da construção do Grupo Escolar Coronel Mário Campos, davam-se aulas no prédio do Teatro onde no seu lugar deu-se a construção do Clube Recreativo São Francisco. Ai vários professores se destacaram: Tíndaro, Maria Stela dos Santos Assis e D. Adolphina de Assis, entre outros. Em 1934 aconteceu a construção do grupo Escolar coronel Mário Campos e com isso São Francisco ganhou mais em conforto e teve ensino mais moderno, tendo o número de professores aumentado, bem como o de alunos. Foram destaques como professores de lá pra cá: José Braz Machado, Sr. Mafra, Alvarina Ferreira, Sudária Pereira, Maria do Carmo Pereira Bese, Carmem Pinto Ribeiro, Alzira da Conceição Ramos (Zizica), Vicentina das Neves Lopes, Terezinha Barbosa Cambraia, Conceição Vargas e Maria Ribeiro Silvino (Lia), entre outros. Já como professores particular se destacaram José Modesto Santos, Lindolfo de Paula Pedrosa e Maria Stela dos Santos (depois de aposentada de suas funções no grupo escolar). Foram muitos que com ela estudaram e passaram em concurso bancário.

Até o final da década de 60 São Francisco de Paula tinha apenas o curso primário que ia da primeira à quarta série. Entre 1969 e 1970 foi implantado o 1º grau que até os dias de hoje vai da primeira á oitava série.

Nas gestões de Salim Bese Filho e de Luiz Ribeiro de Sousa como prefeito de São Francisco de Paula foi implantado o 2º grau na escola municipal Mariquita Bese, situada no bairro São Sebastião, sua construção iniciada por aquele e termina por este. As escolas rurais melhoraram também, principalmente na gestão de João Batista Lima. Atualmente há ônibus que transportam alunos da zona rural até a cidade e com isso o município vai se tornando mais homogêneo quanto à educação. Vale lembrar que funciona um pré-escolar na escola Mariquita Bese. Também na gestão de Luiz Ribeiro de Sousa foi fundada a creche “Geralda Santos”.

 

 

 

 

 

 

A SAÚDE

 

 

 

A saúde nas primeiras décadas era precária e a higiene, principalmente entre a população de baixa renda, deixava muito a desejar. As doenças epidêmicas, as gastro-enterítes, a lepra, a tuberculose e os partos mal sucedidos deixavam vítimas e óbitos. A verminoses atacava a população, normalmente aqueles que andavam descalços. As diarréias de sangue eram freqüentes e as mesmas eram tratadas com comprimidos de sulfa e carvão. Os dentes mal tratados que se infeccionavam, as vezes vindo a furar, com supuração externa, sendo comum pessoas aparecerem com cicatrizes no rosto por este motivo. As crianças e adolescentes eram sempre vitimas pelo mijacão (tumor ou abcesso da sola ou de entre os dedos dos pés, atribuído pela crendice popular ao contato com a urina do cavalo – dic. Aurélio.). Outro tipo de infecção que ocorria era o antraz. A blenorragia mal curadas atacavam a próstata em sua fase final e as vítimas tinham séries dificuldades para urinar.

 

 

 

A GRIPE ESPANHOLA

 

 

A gripe espanhola, chamada “a última epidemia” chegou ao Brasil em 1918. “Durante esse governo (Wenceslau Braz) fomos ainda vítimas de uma terrível pandemia, a gripe, que durante os meses de outubro e novembro de 1918 trouxe o terror à população e o luto a milhares de família e a Pátria que perdeu, por época, alguns filhos proeminentes”. Veiga Cabral – História do Brasil – pág.310.

 

 

 

 

ÚLTIMA EPIDEMIA

 

 

 

Mostrara a guerra que carecíamos de defesa armada.Provou a “gripe” que não tínhamos defesa sanitária. Foi a de 1918 a última epidemia a lembrar, com o caráter calamitoso, as pestes que tão funda lembrança deixaram no espírito popular: com a novidade de apanhar de surpresa o Rio de Janeiro convencido de que, com a extinção da febre amarela, não lhe conheceria mais horrores; Reconheceu –os ao desembarcar no porto, vindo as África, o primeiro grupo doente da influenza, que se declara em vários sítios da Europa, onde as grandes cidades (Paris, Londres, Madri, estendendo-se a Nova Yorque) não puderam evitar a vista da influenza maligna, chamada “espanhola” pela publicidade dada aos seus estragos na península, e ferira, em Dacar, a expedição brasileira. Era setembro. Logo a diretoria de saúde explicou que a natureza universal da moléstia zombava das medidas profiláticas, não havendo o que fazer, se chegasse. Chegou.

Calculou Miguel Couto em 80% da população da capital (Rio de Janeiro)os atacados, numa só quinzena. Morreram aqui 15 mil pessoas. Nem pessoas.Nem escaparam à onda pestilencial o sul e o centro do País – Pedro Calmon – História do Brasil – vol. VI – Séc. XX págs. 2157e 2158.

Deve ter sido entre Outubro e Dezembro de 1918 que essa epidemia atingiu São Francisco de Paula, deixando muitas vítimas, não se sabendo quantos foram os óbitos. O que se sabe sobre essa epidemia em São Francisco de Paula foi-nos contado por Antônio dos Santos Ribeiro, o “Santo”. Dizia ele que a situação se agravou tanto que o coronel Mário Campos fez uma mobilização, convidando todos os fazendeiros influentes do município a tomar providência e levaram médico ao arraial para tratar as vítimas.

As doenças epidêmicas mais comuns até princípios da década de 60 e que hoje já estão praticamente erradicadas eram: varíola, varicela, sarampo, coqueluche, catapora, caxumba, etc. Além dessas ocorriam ainda a difteria, a rubéola, a escarlatina, etc., todas estas infecciosas e mais o bócio ou papeira (hipertrofia da glândula tireóide, por carência de iodo) a ascite (barriga d’água), a cirrose hepática, o escorbuto, a cegueira noturna (por carência de vitaminas A)e mais as doenças venéreas, tais como o cancro mole, o cancro duro, sífilis, a blenorragia, a mula (adenite inguinal, de origem venérea), etc. A poliomielite também deixou as suas marcas. O Dr. Sabin, na década de 80 a deixou praticamente erradicada, com a criação de uma vacina. Além da “espanhola” a epidemia mais grave foi a varíola (bexiga) que fez muitas vitimas.

Observem que, enquanto os cientistas erradicam certas doenças, outras até mais graves vão aparecendo, como é o caso da AIDS que foi descoberta mais recentemente.

 

 

 

 

O CENTRO DE SAÚDE

 

 

 

EM 1964, o então ministro da saúde, Dr.. Paulo Pinheiro Chagas, liberou uma verba para a construção de um hospital em Oliveira. Foi então que, por instância de Wander Assis Ribeiro e José Amélio Moreira, ficou resolvido que seria também liberada uma verba para a construção de um hospital em São Francisco de Paula. Esta verba foi liberada no mesmo ano a que me reporto e, imediatamente, formou –se uma comissão encabeçada por Francisco da Mata Pedrosa para dar início as obras. Foi construída a estrutura com a cobertura da laje e foi colocada uma camada mais grossa de reboco nas paredes e assim permaneceu sem que fosse acabada, pois a verba não fora suficiente para isso. Essa obra ficou relegada ao abandono, até a gestão do prefeito Luiz Ribeiro de Sousa, no seu primeiro mandato, que foi de 1976 até janeiro de 1983 e no segundo, de janeiro de 1989 até janeiro de 1993, quando ele com a autorização do então secretario da saúde, resolveu fazer o acabamento gradativo do prédio, tudo por conta da prefeitura.Uma parte do mesmo foi aproveitada para a instalação do Centro de Saúde e as outras duas para as instalações da Creche Geraldo Santos é um consultório dentário que ainda funcionamos dias atuais. Foi também na gestão de Luiz Ribeiro de Sousa que foi trazido por ele o primeiro médico, Dr. Silvio Mitre, para o atendimento da população francisco –paulense e, daí para cá, não faltou mais médico em São Francisco de Paula.

 

 

 

 

O FARMACEUTICO AMÉRICO BAPTISTA DOS SANTOS

(1861-1942)

 

 

Américo Baptista dos Santos, como vimos em capítulo anteriores, era um homem bastante erudito, empregando a sua sabedoria no serviço do município de São Francisco de Paula.Como farmacêutico, revelou e fez as vezes de médico com muito sucesso. Além disso, era conselheiro, agrimensor, foi vereador por São Francisco, professor, como vimos em outro capítulo, e também foi versado em música. Era muito sério e decido.com o seu trabalho, educou a família quase toda, quando naquela época, só os mais abastados poderiam fazê-lo. Foi ele o precursor no ramo farmacêutico, da sua família, sendo, que alguns filhos, netos e bisnetos seus continuaram até os dias de hoje o seu trabalho. Luiz Ribeiro de Sousa (seu bisneto), já está no ramo há mais de quarenta anos.

 

 

 

O FARMACEUTICO E CIENTISTA AMÉRICO BATISTA DOS SANTOS JR.

 

Américo B. dos Santos Jr. Formou-se em farmácia nas primeiras décadas do século XX. Antes de falar das suas qualidades no campo farmacêutico, devo adiantar que, na falta de médico em São Francisco de Paula, ele exerceu as funções do mesmo com muita competência; Todas as pessoas que o conheceram e confirmaram ou confirmam.

Quando ele desenganava algum doente, era quase certa sua morte. Assim, ele serviu São Francisco de Paula por muito tempo, desde as primeiras décadas até a sua prematura morte que ocorreu em 1946. Já como farmacêutico ele fez várias pesquisas, inventando, no campo da veterinária o “Curseon” que combatia com sucesso o curso (diarréia dos bovinos), principalmente dos bezerros. Além disso, ele fez muitas outras pesquisas na cura de doenças várias, inclusive a lepra; só não teve sucesso nesse empreendimento, porque não havia um patrocínio que lhe garantisse um melhor trabalho, já que além de viver em uma época pouco avançada no campo científico, teve sua vida interrompida prematuramente (50 anos apenas); Também ele não pode se transferir para um centro maior, como o Rio de Janeiro, a exemplo de Carlos Chagas que fora para lá fazer pesquisas científicas, pois tinha uma família para cuidar.

 

 

 

 

 

 

O FARMACEUTICO LUIZ RIBEIRO DE SOUSA

 

 

 

Depois de Américo Baptista dos Santos, Américo Batista dos Santos Júnior e Geraldo Batista dos Santos, Luiz Ribeiro de Sousa assumiu a farmácia, comprando-a de Geraldo B. dos Santos. Ele também, a exemplo do Américo B. dos Santos Júnior, faz as vezes de médico por muito tempo, até a chegada do Dr. Silvio Mitre. Na década de 80 Luiz Ribeiro de Sousa vem servindo a população por mais de quarenta anos.

Vale lembrar que até os princípios da década de 60 ainda se usava o sistema galénico, esto é, uma maneira de preparar o medicamento por meio da manipulação, onde posso destacar a poção gomosa ou julepo gomoso que combatia as diarréias.

 

 

 

O ASTRÔNOMO VICENTE F. DE A. NETO

 

 

Vicente Ferreira de Assis Neto começou a sua atividade em 1952 fazendo reconhecimento do céu a olho nu.

A compra do seu primeiro telescópio deu-se em janeiro de 1957, começando aí observações gerais. Em 1963, com o grande telescópio de 310mm, fabricado em São Paulo, foi fundado o observatório do Perau no município de São Francisco de Paula. O astrônomo especializou-se em cometas, tendo observado até o momento centos e poucos cometas. Devo destacar, Oto assim, que o astrônomo é membro da Societé Astronomique de France desde 1964. Sua observação, principalmente de cometas, ramo em que ele se especializou, são publicadas nas revistas e boletins das principais publicações especializadas do mundo.

 

 

 

 

A VIDA NO ARRAIAL

 

 

A vida no então distrito de Oliveira, São Francisco de Oliveira, era pacata e monótona. Aos domingos após a missa da noite, as pessoas faziam o footing ao lado da igreja do Rosário naquela época ainda existia o jardim onde se faz o footing atualmente.Um serviço de alto-falante, já na década de 50, funcionava à noite, durante toda a semana, com um programa social da amizade. Por ocasião de festas religiosas, também após a missa da noite, realizavam-se leilões com vários tipos de prendas; Mas o leilão mais importantes, tendo como prendas bovinas, suínos e outros animais era o de São Sebastião que acontecia no dia desse santo (20/01).Havia banda de música (houve duas na década de 40) que tocava em procissões e alvoradas, por ocasião de festividades. José Fernandes (Zé Folheiro), José Lucas e Sebastião Santos foram os maiores músicos e instrumentistas, sendo que José Lucas (maior trompetista que já se viu em S. Francisco) e José Fernandes (Zé Folheiro) foram os maiores compositores de então arraial. Dizia-se que uma peça musical de José Fernandes foi levado para a Itália. Já o José Lucas, como grande trompedista, chegava a fazer transposição de improviso quando tocava na banda de música. Só mesmo um grande músico poderia fazê-lo! Modesto Batista dos Santos foi também músico.

 

 

 

 

FESTAS FOLCLORICAS

 

 

Havia a festa do Rosário ou congado, o terço de São Gonçalo,a folia de Reis e as pastorinhas que cantavam músicas natalinas por ocasião do Natal. Havia a queima do Judas (boneco de pano) por no Sábado da leitura.A semana Santa sempre foi muito movimentada, animada por banda de música.

 

 

 

 

 

 

 

 

ORINGEM DO NOME

 

 

 

A origem do nome é a seguinte: Em 1950, o padre Alevatto, da cidade de Paola (Paula) na Itália, veio ao Brasil e esclareceu que por volta de 1720, missionário da ordem dos mínimos de São Francisco de Paula, estiveram no Brasil onde construíram igreja em louvor ao santo.

A lei de n.º 843 de 07/09/1923 mudou a denominação de São Francisco de Paula para Jacareguai. Em seguida, a lei de n.º 160 de 09/09/1924, mais uma vez mudou a denominação de Jacareguai para São Francisco de Oliveira. A lei de n.º 2.764 de 30/12/1962, criou o município com a denominação de Wenceslau Braz, desmembrando de Oliveira. Posteriormente a lei de n.º 3187 de 08/09/1964, denominação anterior, ou seja, São Francisco de Oliveira. Finalmente a lei de n.º 6775 de 01/06/1976 trouxe de volta ao município o seu primitivo nome: São Francisco de Paula.

 

 

 

 

 

OS ÚLTIMOS ANOS DE SÃO FRANCISCO COMO DISTRITO DE OLIVEIRA

 

 

 

Excetuando-se a eletricidade do arraial com um gerador a diesel na administração Athos Cambraia de Campos como prefeito de Oliveira, São Francisco de Paula nada recebeu em termos de benfeitoria, apesar do cidadão francisco-paulense pagar os seus impostos à prefeitura de Oliveira.Assim, São Francisco ficou estagnado dependia politicamente de Oliveira que, por sua vez, também estava estagnada por causa do conservadorismo peculiar aos seus políticos de então.

São Francisco enfrentou muitas dificuldades: estradas precárias, poeirentas na seca e as vezes intransitável por causa das chuvas no verão.As enchentes levavam as pontes com estrutura de madeira. Os carros de bois ainda eram o meio de transporte mais barato para fazer carretos. As rua sem pavimento eram esburacadas, o transporte precário e viajava-se para Oliveira em caminhões leiteiros (transportadores de latas com leite). Foi assim um resumo da situação dificultosa em que vivia o arraial e que viria a melhorar após a sua emancipação política.

 

 

 

 

 

RESUMO FINAL

 

 

Foram duas as tentativas de emancipação encadeadas por Pedro Santos Ribeiro, Benedito Santos, Luiz Ribeiro de Sousa, José Amélio Moreira e Sebastião Beze. A primeira foi em 1958, sem sucesso; a segunda com êxito em 1962.

O relativo melhoramento de São Francisco de Paula deve-se a alguns fatores: A própria emancipação política – administrativo do município, a abertura da BR 369, ligando a rodovia Fernão Dias ao sul de Minas e ao Paraná, passando praticamente dentro de São Francisco de Paula, a mineração de granito, e a intensiva plantação de café, malgranado a falta de investimentos na cidade pelos fazendeiros que foram todos ou quase todos para Oliveira. A maioria desses fazendeiros era contrária à emancipação de São Francisco de Paula. Na administração Laércio Aguiar, com a construção de jardins na praça, São Francisco de Paula começou a mudar a cara do arraial para a de cidade.

Estes foram os prefeitos de São Francisco de Paula: Sudário Andrônio Ribeiro, Francisco Cambraia de Campos, João Lopes Santos, Francisco da Mata Pedrosa, Laércio Assis Aguiar,Vander Assis Ribeiro, Ari Fernandes de Souza, Luís Ribeiro de Sousa, Salim Bese Filho, Luís Ribeiro de Sousa, João Batista Lima, Alberto Ribeiro de Barros e Altair Júnior da Silva, ao todo quatorze até o presente (2001).

Luís Ribeiro de Sousa, em sua primeira administração instalou o posto de saúde, melhorou o saneamento básico, contratou a COPASA para o serviço de abastecimento de água.

Salim Bese Filho construiu a praça de esportes, implantou o segundo grau, quando a escola municipal Marquita Bese, construiu a praça Chagas no bairro São Sebastião, construiu o atual prédio da prefeitura municipal e cadeia pública, entre outras coisas.

João Batista Lima trabalhou na conservação das estradas rurais, entre outras coisas.

Alberto Ribeiro de Barros construiu um ginásio poliesportivo, melhorou o atendimento ao público no centro de Saúde, levou a primeira indústria para São Francisco de Paula, a Franciscana Indústria e Comércio de papel higiênico, guardanapos de papel, etc., construiu mais um grupo escolar no bairro São Sebastião, com quadra esportiva e que hoje, na administração de Altair Júnior, o Juninho foi transformado em um posto de saúde. Também em sua administração, o Eliseu Resende asfaltou a praça central toda e também as ruas Dimas Vargas, Alcino José de Araújo e Joaquim José de Araújo.

Altair Júnior da Silva, o Juninho, apesar de estar ainda no princípio de sua gestão, já reformou o Grupo Escolar Mário Campos e comprou um terreno na área central para a construção de mais um grupo escolar. Este mesmo Juninho, mesmo antes de ser eleito prefeito, vem em companhia de Lenir Pinto, fazendo um belo trabalho social, além de fazer, em companhia de outros amigos, uma reforma na vila vicentina. Com isso em, São Francisco de Paula não há mendicância.

Além destes, vamos citar outros francisco-paulenses que se destacaram: Sebastião Assis Aguiar, talvez o primeiro ecologista da nossa religião.Ele foi um homem dotado de grande inteligência e cultura, prefeito por Oliveira na década de 50 e principalmente um grande amante da natureza, sendo um ecologista pioneiro em nossa região.

José Amélio Moreira, também um homem de grande cultura, apesar de viver em Belo Horizonte se preocupava bastante com o seu torrão natal. Por instância sua e de Vander Assis, conseguiram junto ao então ministro da saúde,Paulo Pinheiro Chagas, verba para a construção de um hospital em São Francisco de Paula e que, mais tarde, se tornou um centro de saúde e também lutou pela emancipação político – administrativa de São Francisco de Paula, além de ter conseguido trocar em definitivo o nome da cidade de São Francisco de Oliveira para o original, isto é, São Francisco de Paula. Ainda criou, com o beneplácito abalizado de Aires da Mata Machado, o gentílico Francisco – paulense.

Vicente Ferreira de Assis Neto, grande astrônomo, membro da Societé Astronomique de France, um dos maiores observadores de cometa do Brasil, tem um observatório do Perau em São Francisco de Paula.Além disso é um grande cientista e matemático. Ele vem dando palestras em Belo Horizonte, fazendo observação no observatório da UFMG, na Serra da Piedade. Em 1986 um astrônomo francês veio a São Francisco de Paula para observar, juntamente com ele, o cometa de Haley.Este astrônomo que se chama Merlan, vem correspondendo Freqüentemente com o Vicente. E para finalizar, devo dizer que as suas são citadas em livros de grandes astrônomos da Europa e também do Brasil.

Na área da botânica, Geraldo Ribeiro Alves vem catalogando as plantas em nosso município. As plantas já catalogadas foram confirmadas pelos botânicos Júlio Lombardi, Da. Mitz Brandão, Botânica da EPAMIG. Eis a relação: como árvores fornecedoras de boa madeira temos o Cedro –Rosa (Cedrela fissilis Vell.), Canjerana (Cabralea canjarana Vell.) Mart., Catiguá (trichilia catinguá Juss.), Peroba-Rosa (Aspidosperma polyneuron Mul. Arg.), outras perobas do mesmo gênero Aspidosperma, Jacarandá (Macherium spp.), Bálsamo (Miroxylon spp.). Dedaleira – amarela (Lafoensa pacari St. Hil.), falsamente tida como venenosa pela crendice popular; Pombeiro (Tapirira guianensis Aubl.) Aroeirinha (Lithraea molleoides (Vell.) Engl.), algumas variedades de Ipê – amarelo (do gênero Tabebuia), Ipê –roxo (Tabebuia impetiginosa (Mart.) Standl.), Ipê – cascudo ou Ipê – do – cerrado (Tabebuia ochracea (cham.) standl.), Ipê –branco (Tabebuia roseo-alba (Ridl.) Sand.), Sssafras (Ocotea odorifera (Vell.) Rohwer) Canela – de – folha-grande ou Canela – ferrugem (Nectandra rígida (H.B.k.) Nees.), outras Canelas dos gêneros Nectandra e Ocotea, Candeia (vanillosmopis spp.), algumas espécies de Maminha – de – porca (gênero Zanthoxylum) Maminha – de – porca –de –folha –miúda (Zanthoxylum rhoifoliumm Lam.), Moreira (Maclura tinctoria(L.) D. Don ex Steud.).

Como plantas ornamentais temos: Quaresmeiras (tibouchina candoleana Cogn.), Dedaleira – amarela (Lafoensia pacari St. Hil.), com suas flores grandes e amarelas; várias espécies de Ipê-amarelo Gênero Tabebuia; Ipê – roxo (Tabebuia impetiginosa (Mart. ex Dc.) Stand.) Ipê – branco (Tabebuia roseo-alba (Ridl.) Stand.), Bico-de-beija–flor (Siphocampylus spp.) Caixeta ou Cinzeiro (Vochysia tucanorum Mart.), Pau-terra (Qualea grandiflora mart.), Oficial-de-sala (Asclepias curassavica L.), Begônia-do-brejo (Begônia cucuilata Wid.). Fura-tacho ou Cipó-barão (Anredera baselloides (Kunth) Baill.), Cipó-de-são-joão (Pyrostegia venusta Miers.) Erva-lanceta (Solidago microglossa DC.), Margaridão (Sphagneticola trilobata (L) Pruski), Campainha (Ipomoea purpúrea (L) Roth), Cardeal ou cipó-esqueleto (Ipomoea quamoclit L.), Campainha-branca (Merremia macrocalyx (Ruiz & Pav.) O’Donell), as palmeiras: Gariroba (Syagrus oleracea (Mart.) Becc.), Coqueiro – jerivá (Syagrus romanzofiana (Cham) Glassm., Coqueiro– macaúba (Acrocomia aculeata (Jacq.) Lodd.); Imbiri (Esterhazia splendida mik.) Genciana–da-terra (Irlbachia coerulescens Griseb.), dejanira (Dejanira erubescens), Flor-de-são-miguel (Petrea volubilis), Sacarrolha (Helicteres sacarrolhas), Limãozinho-do-mato (Randia armata D.C.); as orquídeas: Cattleya Walkerina Gardn. – Orquídeas-roxa; Brassavola frangrans (Orquídea-cebola; Oncidium varicosum-) Bailarina; Epidendron-orquídeas-roxas-de-terra; Sophroni tes cernua Lindl. – Vermelhinha e Stanhopea insignis Frost. – Cabeça-de-boi, etc.

Como plantas medicinais: Chapéu-de-couro (Echinodorus macrophyllum Mit.); Erva-de-santa-maria (Chenopodium ambrosioídes L.), Carqueija (Bacharis trimesa (Less.) DC.), Picão (Ridens pilosa L.), Dente-de-leão (Taraxacum officinale Weber), Assapeixe (Vernonia polyanthes less.).Quebra-pedra (Phyllanthus tenellus Roxb.), Capim-cidreira (Cymbopogon citratus), Zé-da-rosa ou Erva-macaé (Leonurus sibiricus L.) Japecanga (com várias espécies do gênero Smilax), Salsaparrilha (Herreria salsaparilha Mart.), Caapeba (Pothomorphe umbellata (L.) Miq.), Trançagem ou Tanchagem (Plantago major L.), Camará (Latana camará L.), entre muitas outras.

Como plantas comestíveis e usadas na culinária rural temos: Marianica (Erechtites valerianaefolia (Wolf.) DC.), Anredera baselloides (Kunth) Baill.), Beldroega (Portulaca oleracea L.), Mentrusto (Coronopus didymus (L.) SM.), Serralha (Sonchus oleraceus L.), Dente-de-leão (Taraxacum officinale Weber), Ora-pro-nobis (Pereskia aculeata Mill.), Fura-tacho (Talinum panicularum (Jacq) Gaerth.), entre outras.

Frutos silvestres: Guabirobá (várias espécies do gênero Campomanesia), Araçá (Campomanesia spp.), Goiabada , fruto da goiabada, fruto da goiabeira (Psidium guayava L.),Pitanga preta, fruto da Pitangueira-preta (Eugenia spp.), Bacupari, fruto da planta do mesmo nome (Salacia campestris), Ananás, fruto da planta do mesmo nome (Ananás comosus (L.) Merril), Gravatá, fruto da planta do mesmo nome (Bromelia antiacantha Bertol.), Goiabinha, fruto da planta do mesmo nome, com várias espécies do gênero Psidium, Marmelada –de-cachorro (Alibertia edulis), fruto do mesmo nome da planta, com mais uma ou duas espécies; Coco-macaúba, fruto do coqueiro-macaúba (Acrocomia aculeata (Jacq.) Lodd.); Coquinho, fruto do Coqueiro Jerivá (Syagrus romanzoffiana (Cham.) Glassm.), Côco-guariroba (Syagrus oleracea (Mart.)Becc.), Amora-silvestre fruto da planta do mesmo nome (Rubus brasileirensis), etc.

 

Na nossa fauna podemos encontrar entre outras espécies ainda não identificada: Alma–de-gato (Piaya cayana mcroura Gam.), Andorinha-de-casa (Progne chalybea domestica (Vieil.), Andorinha –grande ou Andorinha –gaivota (Progne chalybea (Gmel.), Anu-branco (Guira guira Gmel.), Anu-preto (Crotophaga ani L.), Azulão (dois gêneros: Cyanocompsa e Cyanoloxia); Bem-ti-vi (Pitangus sulphuratus (L.)), Birro (Hirundinea belicosa Vieil.), Bico-de-pimenta (Pitylus fuliginosus Daud.), Canarinho-cabeça-de-fogo ou Canário-da-terra (Sicalis flaveola brasiliensis (Gmel.), Curiango (Nyctidromus albicollis Gmel.) entre outras espécies de gavião ainda não identificadas, podemos encontrar o Gavião carrapateiro (milvago chimachima Vieil.), Gavião conhecido por Acauã (Herpetotheres cachinnans (L.); Garricha (Troglodytes musculus Naum.), Inhambu-xororó (Crypturellus parvirrosetris Wagl.), João-de-barro (Furnarius babius Linch.), João-tolo (Nystalus chacuru Vieil.), Maria-branca (Xolmis cinerea Vieil.)., Maria-preta (Knipolegus lophotes Hellm.), Melro (Turdus Merula L.), Melro-pintado-do-brejo ou Soldadinho-do-brejo (Pseudoleistes guirahuro Vieil.), Pardal (Passer domesticus L.), pássaro introduzido no Brasil, trazido da Europa no princípio do século XX; Pássaro-preto (Gnorimopsar chopi viel.), Periquito-verde (Forpus passerinus vinidus Ridg.), Pintassilgo (Spinus magellanicus ictericus Lich.), Pomba-trocal ou Torcaz (colimba speciosa Gmel.), Rolinha-caldo-de-feijão (Columbina talpacoti (Tem.), Rolinha-carijó ou Rolinha-fogo-pagou (Scardafella squammata (Less.).

Sanhaço (Traupis sayaca (L.), Sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris Vieil.), Seriema (Cariama cristata (L.), Siriri (Tyrannus albolaris Brum.), Saíra ou Saí (algumas espécies do gênero Tanagra Bris.) Tesoura ou Rabo-de-tesoura (Muscivora tyrannus (L.), Tico-tico (Zono trichia capensis (P.L.S>Mull.), Tiziu (Volatinia jacarina (L.), Trinca –Ferro (Saltator maximus (P.L.S.Mul.), Tucano-açu (Ramphastos toco Mill.), Tovaca (Chamaeza brevicauda), Urutau (Nyctibius griseus (Gmel.), Lobo-guará, nome impróprio, pois o nome Guará (Chrysocyon brachyurus), Tamanduá-mirim (Myrmecophaga tetradactyla (L.), Tatu-galinha (Dasypus novemcinctus L.), Tatu-de-rabo-mole (Gênero Cabassous), Tarupeba (Euphractus sexcinctus (L.), Mão-pelada (Procyon cancrivorus (Cuvier), Jaguatirica (Pantera(Jaguarius) pardalis), Jararaca (Bthrops jararaca (Bthrops jararaca (Wied.), Jararacuçu (Bothrops jararacussu Lacerda), Jaratataca ou Jaritataca (Conepatus chilensis amazonicus), Cascavel (Crotalus terrificus (Laur.), Cobra–de-vidro (Ophiodes striatus (Spix) que, a verdade, é um réptil lacertílio, i. é, da família dos lagartos: Urutu (Bothrops alternus), Rã (gênero Rana L.) Sapo (gênero Bufus, com várias espécies), sem contar muitas outras espécies de mamíferos, aves, pássaros, répteis e batráquios, além dos peixes que serão ainda catalogadas por mim, pelo menos mais uma dezena.

 

 

 

 

 

FINAL

  

 

Esta Segunda parte, isto é, a história moderna de São Francisco, apesar de faltar mais dados complementares, foram pesquisadas e redigidas por Geraldo Ribeiro Alves, Belo Horizonte, 23 de setembro de 2001.

    

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 MOVIMENTOS SOCIAIS

 

 

 

 

      A pacatez interiorana que era o seguimento de São Francisco de Paula, às vezes, era despertada por um pequeno alarido como um pequeno roubo, ou um distúrbio de fanfarrões ébricos, alguma briga ou disputa por propriedades aos e negócios-e quando não se tinha mais o que fazer diante da monotonia da vida social, então atacava-se o sujeito estabelecido que viesse se projetando no cenário social, através das famosas “verrinas.”É por isso que encontramos na edição de número 234 da Gazeta, de 21 de fevereiro de 1892, uma nota contra dois profissionais franciscopaulenses: “Grande farmácia em S. Francisco de Paula: manipulador entende tanto como do mundo da lua (não sabemos quem seja este farmacêutico, pois a documentação que possuimos só demonstra Américo Baptista dos Santos como farmacêutico a partir de 1898/99.Reside atualmente em S. Francisco de Paula um inteligentíssimo advogado hábil em leis de rococó. Parabéns S. Francisco de Paula por tão belas aquisições.”Estes ataques aos profissionais ocorriam sempre como uma forma de obstaculiar o seu avanço, pois claro está que, fosse lá quem fosse, vinha propiciar ao lugarejo uma forma de avanço para o progresso. Que o sujeito não tivesse um grande conhecimento do ramo, haveria no entanto de ter acompreensão dos moradores, uma vez que era um iniciante; portanto faltou ao autor da nota um tanto de compreensão e tolerância. Se hoje os jornais e veículos noticiosos não aceita colaboradores anônimos, naquele tempo era prática usual. Entretanto, cremos, são críticas que sempre tendem a evoluir o padrão de atendimento; e de uma forma ou de outra, auxiliam no desenvolvimento da comunidade.

    Há um outro Casio bastante inteiressante, uma vez que D. Elvira Cândida dos Santos, esposa de Américo Baptista dos Santos, havia sido nomeada para o cargo de agente dos Correios de S. Francisco de Paula, em substituição a Flausino Ferreira Pedrosa que tinha falecido. Isto se deu por volta de 1896. No dia 29 de novembro do mesmo ano sai outra nota na Gazeta (edição 483), com o seguinte teor: “Os ambulantes que fazem o serviço de correio para S. Francisco de Paula não passam de Henrique Galvão, ficando ali um ‘dulce far niente ‘ abandonando as malas, até que algum chefe passe parair deixando no seu destino. “E além desta nota na Gazeta saiu um editorial de “A Democracia “(do dia 25 de outubro)”, que era um jornal fundado em Oliveira, em 1894; dizia uma nota na edição 484, da “Gazeta de Minas “, de 6/12/1896: ‘Aos amigos: O artigo editorial que ‘A Democracia’ de 25 de outubro próximo findo, publicou com a epígrafe ‘Correio’ não foi dirigido à agente do Correio deste lugar, que é minha mulher, e sim a mim que faço sempre a distribuição da correspondência em lugar dela; apesar de não ter a honra de conhecer ao ilustrado redator desse jornal, caí-lhe em desagrado, naturalmente pelas informações que tem colhido a meu respeito. É o que se pode deduzir da afirmação que a ilustrada redação, de que eu por antipatia gratuita hostilizava ostensivamente ‘A Democracia ‘, quando eu recebi sempre dois números dela. Um como assinante e outro que vinha destinado à agência do Correio. Entretanto, hoje de nada me admira, em vista da transformação que em tudo se tem feito.Talvez que eu entendendo que preconizava ‘A Democracia ‘, a estivesse hostiliando.Não venho tratar de justificar-me aduzindo provas em meu favor, e nem me darei a esse trabalho, visto que na época presente, pelo revivamento que se nota, torna-se para muita gente impossível e até desconhecida a honestidade.É mais aplaudido o

 

 

Homem servil e bajulador, do que aquele que procura em seus atos observar os preceitos da moral e da religião. Aquele que tem proteção dos grandes da terra, e embuçado na capa brilhante do ouro dos seus protetores ofusca os olhos da sociedade que cegamente aplaude os seus atos, por mais infames que sejam. Este é quase sempre alvo das mais e vis perseguições. É portanto dura a escolha entre os dois caminhos que temos a seguir. Eu, porém, que a nada absolutamente aspiro das grandezas mundanas e que de nada receio senão o juízo do Onipotente, guio-me unicamente pela minha consciência, tendo por alvo ser escravo dos meus deveres. Não venho, como já disse, tratar de justificar-me.Venho apenas dizer aos meus amigos, aqueles que crêem sem necessidade de provas, que esse ente que denunciou-me ‘A Democracia, não passa de um vil caluniador, que não tendo a necessária coragem para enfrentar-me de peito descoberto, procura molestar-me por um meio tão degradante – denunciante anônimo. Eu desejava que esse covarde tivesse a coragem de tirar a máscara, para eu dizer-lhe; Tu és três vezes infame!... Reuniste de uma só vez: a covardia do anônimo, a vileza do delator, a ignorância do embusteiro;... Américo Baptista dos Santos. S. Francisco de Paula, 25 de novembro de 1896. “Ora, esta questão não só causou problema, como dores e atribulações, o que nos remete a meditar acerca de questão já referida, eu a imprensa da época permitir o anonimato, o que vemos hoje como uma atitude totalmente anti-ética.

     Isso tudo levou não só às tribulações consequêntes, como também encher a D. Elvira, agente so Correio, de profundo desgosto que a ia abatendo, levou-a a adoecer, e em dezembro de 1896 ela pede exoneração em favor de seu irmão Galdino (é que o agente do Correio, na ausência de um posta, tinha que fazer a entrega de correspondência, e ela não tinha condições de enfrentar os atritos da estradas ruins). Galdino Ferreira de Assis assume a Agência do Correio de S. Francisco de Paula, nomeado que foi logo em seguida. E tal assusta mais ainda Américo Baptista dos Santos, que havia perdido a sua primeira esposa em 1892, no dia 28 de novembro;e, diante de uma tão grande perda de Maria Cândida, não podia agora ver ameaçada a saúde da segunda esposa Elvira, que, além de tudo, tinha como os seus os quatro filhos do primeiro casamento de Américo. Nas pequenas localidades da região de Minas Gerais, como o movimento social era pequeno, tanto quanto o comercial; o sujeito não tendo com o que se ocupar, preocupava com a vida dos outros – era assim que se preenchia o tempo ocioso.

 

 

 

O SENTIMENTO COLETIVO DE FRATERNIDADE

 

 

 

    Em que pense os disse-me-disse e as verrinas dos jornais, paradoxalmente a vida em S. Francisco de Paula seguia sem mais distúrbios naquela tranquilidade própria da natureza mineira.

    Do ponto de vista religioso que congregava todo aquele povo no sentido único da fé cristã, havia de notável – como já nos referimos – as festividades, como maior evento de toda a comunidade, a queima de fogs, as quermesses e, principalmente, a troca do santo de Paula por São Sebastião; assim, no dia 30 de julho de 1896(numa data completamente estranha ao santo mártir), dava-se lugar em S. francisco grandes festejos em homenagem a S. Sebastião e terminava assim o século conservando S. Francisco de Paula apenas pela toponímia. Todo acontecimento, afinal, era revestido pelos fogos de artifício e banda de música, entremeados de sermões e discursos pomposos; assim no dia 2 de maio, quando da visita a S. Francisco do Dr. Horácio Ribeiro da Silva, vindo de Oliveira, foi logo hospedado na casa do reverendo Joaquim Cardoso, sendo recebido pela banda (que já vinha sendo formada em S. Francisco), que tinha a colaboração de músicos de Oliveira e Itapecerica.Depois, então, ocorreu uma cervejada, que aquele tempo já havia fabricantes, inclusive em Oliveira. Oponto alto dessas visitas ilustres eram os discursos, que proferidos, por ordem, pelo Pe. Joaquim Cardoso, Pe. Américo brasileiro, Dr. Horácio agradecendo “a prova de apreço que acabava de receber”; e o capitão Salvador Borges da Silva, representando o povo, apoiado pepelo Pe. Joaquim Cardoso. Após uma grande exibição da banda, “subiram aos céus muitos foguetes.”

    Para a soltura de fogos exigia-se, como ainda se exige, uma grande perícia e conhecimento da arte da pirotecnica; e lá estava o Martinho Cazeca com a sua habilidade. Mas nem sempre era assim, por isso a Gazeta de minas, em s/ nº 459, de 14/06/1896, trazia a seguinte nota: “Venho cumprir o grato dever de dar a público testemunho da minha profunda gratidão a todas as pessoas da boa freguesia de Candeias, os quais tomaram parte nos meus sofrimentos por ocasião do desastre que ali se deu no fim de abril último, explodindo uma grande quantidade de fogos de artifício na casa em que me achava, ficando horrivelmente queimado; mas, mercê de Deus, foram-se prestado pronta e perseverantemente todos os socorros aconselhados pela medicina, desvelo e conforto tais no meu prolongado tratamento como os que poderia eu ter na terra que me foi berço, e tão eficazes foram que me acho completamente salvo e são. Depois de manifestar os meus sentimentos de muita gratidão para todos, seja-me permitido mencionar os meus sentimentos de muita gratidão para com todos, seja-me permitido mencionar 

 

 

 

 

O SENTIMENTO COLETIVO DE FRATERNIDADE

 

           Em que pese os disse-me-disse e as verrinas dos jornais, paradoxalmente a vida em S. Francisco de Paula seguia sem mais distúrbio naquela tranquilidade própria da natureza mineira.

     Do ponto de vista religioso que congregava todo aquele povo no sentido único de fé cristã, havia de notável – como já nos referimos – as festividades, como maior evento de toda a comunidade, a queima de fogos, as quermesses e, principalmente, a troca do santo de Paula por São Sebastião; assim, no dia 30 de julho de 1896 (numa data completamente estranha ao santo mártir), dava-se lugar em S. Francisco grandes festejos em homenagem a S. Sebastião e terminava assim o século conservando S. Francisco de Paula apenas pela toponímia. Todo acontecimento, afinal, era revestido pelos fogos de artifícios e banda de música, entremeados de sermões e discursos pomposos; no dia 2 de maio, quando da visita a S. Francisco do Dr. Horácio Ribeiro da Silva, vindo de Oliveira, foi logo hospedado na casa do reverendo Joaquim Cardoso, sendo recebido pela banda (que já vinha sendo formada em S. Francisco), que tinha a colocação de músicos de Oliveira e Itapecerica. Depois, então, ocorreu uma cervejada, que aquele tempo já havia fabricantes, inclusive Oliveira. O ponto alto dessas visitas ilustres eram os discursos, que foram proferidos, por ordem, pelo Pe. Joaquim Cardoso, Pe. Américo Brasileiro, Dr. Horácio agradecendo “a prova de preço que acabava de receber”; e capitão Salvador Borges da Silva, representando o povo, apoiado pelo Pe. Joaquim Cardoso. Após uma grande exibição da banda, “subiram aos céus muitos foguetes.”

    Para a soltura de fogos exigia-se, como ainda se exige, uma grande perícia e conhecimento da arte da pirotecnia; e lá estava o Martinho Cazeca com a sua habilidade. Mas nem sempre era assim a Gazeta de Minas, em s/ n° 459, de14/06/1896, trazia a seguinte nota: “Venho cumprir o grato dever de dar a público testemunho da minha profunda gratidão a todas as pessoas da boa freguesia de Candeias, os quais tomaram parte nos meus grandes sofrimentos por ocasião do desastre que ali se deu no fim de abril último, explodindo uma grande quantidade de fogos de artifício na casa em que me achava, ficando horrivelmente queimado; mas, mercê de Deus, foram-se pretados pronta e perseverantemente todos os socorros aconselhados pela medicina, desvelo e conforto tais no meu prolongado tratamento como os que poderia eu Ter na terra que me foi berço, e tão eficazes foram que me acho completamente salvo e são. Depois de manifestar os meus sentimentos de muita gratidão para com todos, seja-me permitido mencionar oe meus sentimentos de muita gratidão para com todos, seja-me permitido mencionar os nomes dos ilustre Srs. Coronel João Afonso L. Nascimento, Cel. Antônio M. da Silva, farmacêutico Salatiel Ferreira de Carvalho e sua digna esposa, tenente Cândido Barreto, Rer. vigário Américo Cristiano Brasileiro, Teófilo dos Reis que foram incansáveis em prodigalizar tudo quanto humanamente é mister no estado em que me achava. Venho manifestar a mais viva satisfação e meu imorredouro reconhecimento aos meus dignos patrícios e habitantes de S. Francisco de Paula, não só pela maneira festiva com que me acolheram na minha volta de Candeias, onde havia corrido risco a minha vida, como pelo muito interesse que mostram pelo meu restabelecimento. Izidro Andônico Ribeiro.”Como só acontecer nas maiores catástrofes e nos acontecimentos que vitimassem não só o filho da terra, todos os demais habitantes mobilizam-se em favor de amenizar o sinistro, e cuidar do pronto restabelecimento da vítima ou vítimas. Era o movimento coletivo de fraternidade.

    Dos fatos mais importantes que se deram em S. Francisco de Paulo no do século, foi que a partir de 6 de setembro de 1892, foram designados os cidadãos para comporem as comissões que apartir do dia 1º de agosto deveriam dar execução aos trabalhos de alismento dos cidadãos aptos para o serviço militar. O serviço militar que até então era obrigatório em São Francisco, a partir desta data então veio substituir o que restava dos antigos guardas nacionais, numa terra de coronéis, do sertão. Assim, para S. Francisco, foram designados: presidente, capitão Salvador Borges da Silva; menbros, tenente Evaristo Ribeiro de Oliveira e Silva e Amâncio Batista dos Santos. No mais o que acontece de notável em São Francisco de Paula eram os casamentos de membros da sociedade, dando prosseguimentoao compadrio dos pioneiros, e os óbitos de pessoas ilustres da sociedade. Assim temos, a 9/01/1893, uma morte que vestiu de luto toda a sociedade; a família perdia o seu chefe Francisco Mariano de Barros. Por isto, Antônio Marciano de Barros, casando-se em abril do mesmo ano, com Maria Rita de Resende, não pode convidar os seus parentes e amigos, devido ainda ao luto pela morte do pai. Outro casamento que se revestiu, foi de pompa, foi o de José Andrônico Ribeiro com a professora Porphiria Cândida de Assis; cerimônia que foi presidida pelo juiz de paz Theodoro Ribeiro de Oliveira e silva, no dia 13 de junho de 1891, tendo como testemunhas o Dr. Ronan Ribeiro de O. e Silva, Américo Baptista dos Santos e D. Ambrozina de Paula – e a festa realizada na residência de Américo B. dos Santos. Outro casamento importante em novembro de 1891, no dia 20, o Ronan Ribeiro de Oliveira e Silva com D. Joanita Campos, filha de Antônio da Silva Campos.Já voltando às questões de óbitos, temos a 25 de fevereiro, o passamento de D. Antônia da Silveira, filha de Baldoíno José da Silveira. Dia 3 de dezembro de 1898, D. Feliciana Ferreira da Silva, “senhora muito estimada pelas suas excelentes qualidades.” Dia 15 de Dezembro de 1898, o capitão José Pedro de Andrade, que era importante fazendeiro da região. Em Fevereiro de 1899, D. Mercedes Ribeiro, esposa de Cornélio Andrônico Ribeiro. E também em março do mesamo ano: Adelaide Alda dos Santos Madeira, Américo Baptista dos Santos, Ambrozina de Paula Bradileiro, Francisco de Paula Brasileiro, agradeciam as pessoas que acompanharam o enterro de seu marido, cunhado, Francisco de Oliveira Madeira; agradecendo ainda aos músicos (ainda não havia uma banda oficializada) que prestaram espontaneamente as encomendações na igreja da Matriz. E outro féretro concorrido foi o de D. Maria José de Araújo, mãe de João de Araújo, Francisco José de Araújo, Rosklin de Araújo, e tia do capitão Francisco de Paula Diniz. Este aconteceu a 17 de julho de 1899.

     Quanto aos matrimônios importantes ocorridos no final do século, houve em 1896. A 16 de dezembro, o Francisco de oliveira Madeira com a Adelaide Alda dos Santos, irmã de Américo Baptista dos Santos, e da D. Ambrozina Orozimba de Paula Brasileiro. No mais o que cabe registrar é o fato de que os nomes por aquela época, como ainda vemos hoje, mas só pessoas com mais de 50 anos, eram muito comuns, e havia assim o grande problema dos homônimos; em que muitas vezes, não pela confusão que causava, mas também por causa de caloteiros, era grande a preocupação do sujeito em mudar a ordem, a fim de evitar tal inconveniente de cobradores à porta, ou de ser confundido pelos avisos de protestos. Assim, em 1898, agosto, Joaquim Antônio do Nascimento Sá declarava, para fins convenientes e de direito, que daquele momento em diante, passava a assinar-se: Joaquim Caridade do Nascimento (23 de Julho, a data do processo). Da mesma forma, João Evangelista do Nascimento declarava para todos o efeitos que, de 20 de novembro de 1898 em diante, passava a chamar-se João do Nascimento.

E daí em diante abriu-se um precedente que tomou conta, durante o século XX, de muitos outros que passava pelos mesmos problemas de verem seus nomes misturados a caloteiros – e até mesmo para crescer no status social.

            

      

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